quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Dévotion II

Meu coração se alimenta de tuas sombras errantes, de um amor em luto, de pérfidos sentimentos que senti, outrora, partindo das falsas impressões que, por meu próprio descontentamento, mais uma vez, me tornaram docemente infeliz. A triste sedução que vem de ti, meu amor, já nada me traz. A simplória emoção de estar a teu lado, meu amor, já não me satisfaz... Erga a cabeça, meneie os braços, mostre teus sentimentos, tuas quimeras, teu tão partido coração! Estradas bordejadas por ódio e corrupção sustentam teus membros descaídos em tentação, senão divina; iluminação e perdição, senão as minhas. E, ainda, meu coração se esgueira procurando teus lábios verdes, teus raios, perfumes e púrpuras... Ainda sei onde encontrar-te, meu amor. Ainda sei. E é por isso que, todas as noites, antes de dormir sonos eternos, deito contigo na alcova onde repousa tua carcaça, sabendo que tua alma permanece a meu lado.

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