sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Enfim

Andaste pelas sombras das vielas
de meu coração amiúde, e nele
viste homens ocos e solitários
desprendendo-se de minha visão
turva, oca, diminuta em sua plenitude.

Caminhaste por meu vasto império,
minha pequena monarca,
onde tudo era cinza, perdido,
silenciado, mas jamais decaído,
alheio, indiferente, abandonado.

Vacilaste, meu amor, pela penumbra de meu ego
altruísta e ególatra. Todavia, nada era meu,
senão as perguntas que fazia a mim
mesmo para permanecer são.

Aqui, onde os olhos desbotam em lágrimas,
vejo a ti qual um vulto resvalado,
mas estou ofuscado por teu brilho,
ensimesmado, lento, apaixonado...

Porém, neste vale de dimensões
e depressões infindas e infinitas,
só eu sei que és a cura para a morte iminente.

Só eu sei que és o segredo
e o enigma, o vulto e a luz,
o amor e a paz de minha doída mente.

Perdoe-me por amar-te
e por te mostrar o que se esconde em mim.

Mas, para amar e receber amor,
deve-se conhecer a profundeza daqui...

onde os olhos começam a brilhar por ti.

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