terça-feira, 12 de agosto de 2014

Estirpe

Lâminas de sol se dispersam
em sombras ineloquentes,
frouxas, arrochadas,
sombras coléricas de olhos
melancólicos, tomados pela
lágrima, angústia e agonia.
Homens vazios, repletos
de insatisfação estrondam
o frêmito entre as mãos
e o pulsar do sentimento.
Mas não o alcançam.
Estão distantes, ocos,
perdidos em pensamento,
em suas mentes frias e
igualmente trêmulas.

Nem mais um passo!
O reino da morte se dispersa
em solidão e quietude.
Os olhos ainda escorrem
pouco a pouco, gota a gota,
os sentimentos alheios, sem brilhar,
sem sofrer (agora que quase todos
se foram), sem ser digno de pena,
honra, ou qualquer outra coisa.
Todos, juntos, tateamos o solo
à procura da sede e fome.
Contentamo-nos com o pouco,
com o mistério da ilusão
e também do espírito oco,
sem alusão à mais alta estirpe
da imaginação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário