domingo, 17 de agosto de 2014

O Cavalheiro dos Sonhos Delirantes

Vestido de negro, caminha só por licencioso festim:
os lábios mudos, os pés, opacos, marchando lentamente,
os olhos desatentos, as melenas esvoaçantes e a mente
triste. O cavalheiro dos sonhos delirantes vem a mim.

Pálido, arrogante e deveras refratante, espelha, dormente,
o que se foi antanho. Vive do passado, e passa, assim,
por todos: de soslaio, ególatra, soberbo. Eu, a mim,
somente digo que jamais serei o cavalheiro irreverente.

Porém, antes de ser quem sou, fui um tanto parecido
com o que se propõe a ser quem não se quer
ter por perto - um adversário, um desafeto, um inimigo descosido.

Mas, ainda que tenha a oportunidade de mudança,
nem todos estão preparados para tal, por tudo que isso requer.
Somos escravos da rotina, de nós mesmos e da matança

que vem de dentro para dentro.



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