sábado, 13 de setembro de 2014

Versos a um Coveiro

Reduzir a carne a algarismos,
fundir-se ao sepulcro e à mortalha,
queimar seus ossos numa pétrea fornalha,
contar os corpos perdidos em abismos.

É essa a dura vida do coveiro:
a gênese de toda a vida é o falecimento.
A origem da agonia é o sentimento,
e o mal do homem surge por inteiro.

Mas, em suas contas infinitas,
o âmago humano e as pessoas aflitas
(por medo da morte) são dispersas.

O que importa são os números,
os crânios, os órgãos, os úmeros...
em meio às tristes mortes diversas.

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