segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Adeus

se sou louco
não saberei me explicar
- mas não sou pouco
e dificilmente irão exorcizar

a insanidade que me consome.
sou dono de mim mesmo.
porém, se meu ego já some,
serei um ser a esmo?

e esse adeus que se faz eterno?
o que refletem estes olhos de solidão?
quem são os que ainda serão?
o que sou - senão um ser externo?

para onde caminha
a sutileza de teus passos,
e, em meio aos compassos
do mundo, por que estás sozinha?

olhe através das vistas rasas,
através das retinas cansadas:
sou como as nobres falenas:
perdido na quietude do bater de minhas asas.

se sou louco
não saberei me explicar
- não sou pouco,
 mas todos deixarão de me amar

qualquer dia... irão
e cairei no esquecimento.
assim como cairão
por meu próprio desalento.

e, então, meu adeus se fará eterno.

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