sexta-feira, 24 de outubro de 2014

um dia comum

a casa cheirava a cigarro
por causa do fumo que
levitava ventania da
janela do vizinho.

o cachorro, deitado,
dormia o silêncio
de sua alma;

e eu sofria, ah, como sofria...

a música tocava leve
um Pink Floyd antigo.

a televisão ligada
resplandecia o mundo
interno como se nada houvesse
fora de nossas carcaças decrepitantes.

ainda o cigarro cheirava,
ainda o cachorro dormia,
ainda sua alma sonhava,
ainda eu, solitário, sofria...

e o (dito) Deus sorria de lado,
contente com a liberdade,
ainda triste, ainda putrefata,
de densos invernos, que havia nos dado.

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