domingo, 23 de novembro de 2014

Dois sonetos imperfeitos

Um dia, longe do presente que se estende
pela carcaça dos que projetam o futuro,
estarei certo de minha imaturidade ao ficar maduro,
estarei esquerdo, pensando no que minha poesia defende.

percepções sobem-me à loucura,
projetam-se pelo corpo inteiro,
assemelham-me à morte do coveiro
que ascende à solidão e perpetua a armadura.

Os versos, imersos em saudade,
os sonhos, o simples e sutil,
o homem oco e viril,

a boca entreaberta beijando
e seu nome chamando...
mas ainda você não me viu.

Um dia, longe do presente que se enrola
pelos detritos de minha personalidade,
serei eu, serei você e toda a sociedade
para dizer que um dia "cantei a bola":

um homem grande, cheio de malícia
e sentimentos corporais será visto.
então, meu ego estará listo
para subir as paredes e encontrar-se em delícia.

Os versos, ainda imersos e caducos,
estarão podres, envelhecidos e sem poesia,
mas intacta permanecerá a melancolia

em que se encontra meu eu.
pela qual digo que já deu...
pela qual grito em uma  tenra e dolorosa agonia.

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