sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Versos a L. e S.

Como estive só, L. e S.,
pensando em todos os raros divertimentos,
os densos, tênues e temerosos tormentos,
que invadiram a cabeça dos versos, nus,
jogados ao Letes sem piedade - para uma morte faminta,
descontrolada e incitada pela poesia morta do poeta
agoniado e igualmente desfalecido.

Como estive pensando em vocês, L. e S.,
enquanto ouvia um blues surdo,
um jazz apático e melancólico,
uma canção desesperada deste poeta.

Entre passos solitários, passei pelas trincheiras de seus corações sem ser visto ou descrito.
Perambulei por aí afora, vi luzes subtraindo-se às sombras,
mas não os encontrei.

Onde estão?

                                               O que fazem?

                                                                                            Quem são, afinal?

Como sofri, L. e S.,
perdido na discórdia, esquecido no esquecimento.
Beberam de meu sangue. Ocultaram-se em minha memória
e, miseráveis, minhas estrofes desbotaram-se em sua própria tinta.
A barca de Caronte faz seu último trajeto esta noite...
o nevoeiro encena sua última tragédia...
É preciso partir, é preciso deixar a margem nebulosa e caminhar até o infinito.

4 comentários:

  1. Parabéns, simplesmente sensacional!!!
    quem dera eu ter essa criatividade toda :)


    att: Lucas do Blogdosjovensleitores.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Lindo poema e lindo blog. Parabéns pelo talento e sensibilidade!!

    ResponderExcluir
  3. Muito obrigado, Miriã! Ótimo ler comentários como esse!

    ResponderExcluir