terça-feira, 30 de setembro de 2014

Poemeto àquela garota

Por entre o verde de teus olhos,
vejo a mim refletido
como todo um grande ser corrompido
pelo amor de teus amores.

E ainda não vi tuas cores.
O outro te condensa por completo,
apesar d'eu ser repleto
de ciência insanidade e coração...

Ainda assim, perco-me em tua imensidão.
não vejo contrastes apesar das adversidades;
não vejo defeitos, mas só qualidades.

E, se não sei se ter-te-ei  ao certo,
saibas que, por tua felicidade,
sempre estarei por perto.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Ateísmo

Despido a ponto de ter meu coração apenas,
senti vazio, com o corpo em poesia morto;
em versos singelos e cálidos estive absorto
e esvaí-me das cantigas sinuosas e serenas.

Rostos sutis, quase desenhados por falenas,
olhos pintados pela púrpura do cansaço,
poemas soltos, perdidos no estilhaço
do soar e badalar de doces cantilenas.

Meu amor ainda pulsa solitário e desgraçado.
Ainda há tempo para soprar em mim o amor divino;
ainda há tempo para soprar em mim o amor sagrado.

Mas sou homem (e ainda sou menino),
e não posso fugir de meu ateístico destino.
Não posso lutar contra ou a favor meu fado.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Crisálidas

Cortando o vôo das falenas
que caem como véu sobre as cidades,
escrevo um poema, reitero amizades,
desgrenho minhas rebeldes melenas.

Escrevo acerca das brilhantes mentes
de autores estrangeiros que um dia li,
tudo de mim, amor, tudo de mim a ti
- são frutos de meu coração eloquente.

Mas não conheço todas as intensidades,
não conheço as grandes e valorosas
e fugazes e audazes inimizades.

E só quero vê-la amar e cantar, pequena crisálida,
versos de esquecimento e imensidão.
Quero vê-la alçar a mim teu leve e próspero coração.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Hipnose

Hipnotizado pelo marasmo de meu quarto,
escrevo um poema desafortunado.
Ele, coitado, não será lido ou revisto,
não será reescrito ou relido, insisto.
Escrevo um poema que não será lembrado.

O crepúsculo do universo momentâneo das palavras
transborda em situações adversas às do leitor.
Poeta que é poeta não precisa de palavras para ser;
para ser um poeta que é poeta, é necessário correr
olhos minuciosos, olhos de acaso, um pouco de caos, um pouco de amor.

Hipnotizado, ainda, pelo marasmo de meu quarto,
escrevo um poema desafortunado.
Não foi escrito, veja só, por um poeta de renome,
ou um poeta de verdade, sem título, sem necessidade, sem fome
de ser quem é.

Fui eu que escrevi...  e aqui depositei uma parcela do que minha mente poetizou.


Ego

eleve seu ego à humildade.

domingo, 21 de setembro de 2014

-

se nossas bocas, entreabertas, se tornarem distantes,
se tuas mãos abraçarem outras, que não as minhas,
se tua voz não chamar mais meu nome, silenciosamente,
se tuas palavras não se transformarem em poemas meus,

se alguma vez, em meu peito, deixar de amar-te,
não saberei, com toda certeza,
se meu amor estará morrendo, se eu estarei desfalecido,
ou se o amor estará brincando conosco.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

-

entre singelas e tortuosas palavras,
os versos do poeta descansam como
fossem canonizados e repletos de
insignificados eloquentes.

não dizemos nada com nada
e nos aplaudem simplesmente
porque não nos entenderam.


Loucura

Não diga nada a ninguém sobre o que sua mente esconde, e deduzirão sua insanidade. Caminhando vertical e melancolicamente, escrevi um poema que dizia ser o maior relato de amor dos últimos tempos. Logo, meu coração passou ao fogo, e meu ego ascendeu novamente, varrendo todos os meus sonhos de giganteza de meus olhos reflexivos. Não diga nada a ninguém, fique quieto em seu canto, e deduzirão sua insanidade.

Sincero e indelicado

Em meio a tercetos sinuosos,
eu, menino, choro versos de amor.
E o amor me responde
com um sincero e indelicado
"se fode aí".


Entre todas te escolhi

Entre todas te escolhi
logo na primeira vez em que te vi.
Aparentemente inocente,
docemente um coração eloquente,
o amor exalava de minhas entranhas,
e, de tuas, somente vozes estranhas.
Mas nunca te esqueci,
e já nem sei se era real o que vi.
Só que até hoje, sinto tanto...
em meio à alegria, à dor, ao pranto...
Porque entre todas te escolhi
logo na primeira...
logo na primeira vez em que te vi.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Goethe II

Da inconsciência do pretérito
surge-me a loucura.
Quantas noites, em claro,
passei sozinho
esperando que algo acontecesse
para que transformasse as mágoas
de um passado mal resolvido?

Goethe ainda no quarto,
me esperando para folheá-lo.
Eu o desligo e termino o poema.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

-

amor, já adoecemos em meio à penumbra;
não vivemos além da angústia de quem vive,
não distanciamos a distância de quem ama.

Imperfeições

Envolto em lutuosas flores, seu corpo permanecia ali, ao lado do meu, jazendo com todas as minhas características. Não tinha nome, não tinha alma. Era apenas uma espectadora; apenas observava - em minúcias - a realidade que a cercava. Enquanto seus olhos moviam-se lentamente acerca de todos os detalhes, os meus, negros como a penumbra da noite em que nos encontrávamos, desfaleciam ao contemplá-la. E escorriam. E mentiam, pensando serem o centro, o alvo de todos os seus olhares.
Não. Não era bem assim. Ela estava sempre olhando os pormenores, contudo eu queria ser gigante. Ela estava sempre atenta às perfeições, todavia eu era imperfeito. Portanto, enquanto seus braços, cruzados, pareciam distantes, enquanto suas palavras deixavam de tocar meus ouvidos, calados, enquanto sua face empalidecia pela dor da distância... eu a matei. E matei para que ninguém pudesse absorver o amor que ela tinha para dar, para que meu próprio orgulho não fosse ferido, para que ninguém pudesse ter aqueles olhos para si. E, a partir de sua morte, minha loucura ascendeu. Já não respirava como antes; já não enxergava o mundo com meus próprio olhos: eram os dela. Aquelas duas orbes resplendiam a beleza, a nostalgia e a melancolia em meu próprio corpo. Recitavam versos, calavam a cidade... e eu ali, apenas observava - com a mesma atenção que ela costumava enxergar. Num dia, meses depois, sob chuva forte, fui visitar o sepulcro de minha amada. Sem nome, sem alma, ali refletia o que sempre a acompanhou: uma morte interna que se externava e levava sua carcaça à terra fria e molhada. Ali, cavei com mãos suadas, cautelosamente, - para que não fosse visto -, até alcançar seu caixão. A terra molhada facilitava o trabalho árduo, portanto eu consegui alcançá-lo. E atingi seus olhos com meus próprios punhos. Arranquei os glóbulos esmeráldicos, ainda conservados, apesar do tempo, e me alimentei deles. Assim, talvez incorporasse suas características, reavivando as minhas próprias. Então, pela última vez, fiz amor com minha amada... até que nossa morte nos separou.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

sábado, 13 de setembro de 2014

Versos a um Coveiro

Reduzir a carne a algarismos,
fundir-se ao sepulcro e à mortalha,
queimar seus ossos numa pétrea fornalha,
contar os corpos perdidos em abismos.

É essa a dura vida do coveiro:
a gênese de toda a vida é o falecimento.
A origem da agonia é o sentimento,
e o mal do homem surge por inteiro.

Mas, em suas contas infinitas,
o âmago humano e as pessoas aflitas
(por medo da morte) são dispersas.

O que importa são os números,
os crânios, os órgãos, os úmeros...
em meio às tristes mortes diversas.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Amor

a     mor      j á  não
so  u e  u   m  esmo
j     á cami  nho s  ó
s  em  e nxer  gar  o
utros  a man tes o u
a   more  s     qu    e
r e s plen dem  o pr
óprio  a   mor

adieu  n  ão  n   os
resta   m   ui to ag
ora

a   de us  

a m   o r te c  ha ma
a m   o r te c  la  ma
a m   o r te declama

a p   o e sia d  a vida

j  á   nã  o  sou  eu
qu  e  c  ho ra
v   er sos   de  dor
q ue rida   v i  da
a     mor

Poema

                                    onde destrói este problema,
                                                                           constrói um poema

                           quieta quietude,
             venha me salvar

                                                               sozinha, solitude
                                                                                    vem me saciar

                                        viril, virilidade
                       desafia a minha claridade

                                                                                      e a senil senilidade
                                                                                                    vem me matar lentamente

                                      até que a mórbida morbidez
                                      e a pálida palidez

                                                                                            se tornam poética em poesia,
                                                                                                                   minha agônica agonia,

               minha sutil melancolia,

     minha morte,

                                                           
                                                                   minha vida.

Ceticismo

Os poemas que escrevi em Simbolismo,
remetem à essência da dor e do sofrimento,
que sinto a todo instante e a todo momento
em meio ao calor da fé e do ceticismo.

Deus já não existe com ou sem misticismo.
Não enuncio suas palavras em detrimento
do nobre, sutil e vivaz tormento
que me insere em meu próprio abismo.

Mantenho-me inerte e a dor me consome,
mas estou bem... sofrendo. Estou bem... morrendo.
Já nem sei mais quem é que de mim some

por causa da alma que aqui escrevo,
pelos versos que aqui descrevo,
pela morte, que já listou meu nome.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Helena II

Na escuridão das melenas,
pela estirpe, pelo cortejo,
pela carência, pelo desejo,
encontro nossas almas pequenas.

Crisálidas se tornarão falenas
e levarão consigo tudo que almejo.
Tudo que vi não é o que vejo,
tudo que vi são flashes de Helena.

Entretanto, amo, ainda, tal qual
estivesse aqui a meu lado.
Amo, ainda, mas amo igual-

mente. Minha mente mente
um coração apaixonado
que já desfalece entre a gente.

E os olhos de Helena... ah...
o céu e oceano se fundem
em amor e harmonia.

E seus cabelos, belos...
entre a dor e a monotonia
de uma rotina que lhe fez sozinha.

Na escuridão das melenas,
pela estirpe, pelo cortejo,
pela carência, pelo desejo...
tudo que vejo é sua alma pequena.

Suas crisálidas se tornaram falenas,
e já carregam consigo tudo que almejei.
Se estou acordado, estou no mundo que sonhei,
e, se sonhei, nem mesmo existe Helena.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

-

Nenhum espectro irá se manifestar
no corpo morto deste moribundo.
Não serei eu se não me detestar,
não serei eu se não estiver imundo.


domingo, 7 de setembro de 2014

Ilogismo

Perdida em silogismos,
minha mente ofuscada
por tantas emaranhadas
vozes, ecos e ilogismos,

vagou só, desgrenhada,
imersa em falsos-amigos.
E carrego-te comigo,
meu amor, pela superestimada

vida, que agora descansa,
repousa em teus braços
e canta a canção que alcança

o mundo sustenido, diminuto;
o universo inverso e imerso
em musicalidade e versos de minuto.

A/B

Ouçamos, à companhia
de um querido amigo
de inferno e sua poesia,
o robusto discurso inimigo:

"Não há melancolia
expressa no abrigo
das palavras de agonia
de seu amor mais antigo.

Não há amor ou apatia,
desafeto, em ser castigo
para os filhos da alegria,
que agora seguem comigo."

Ouçamos, à profunda elegia
do inconformado poeta-perigo,
o inferno e sutil afasia,
que sempre leva consigo.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Helena

De amigos velhos e revelhos estamos repletos.
De sutis inimizades e desafetos unidos estamos cheios.
Helena me olha de soslaio sem nem me conhecer.
E eu olho para Helena, tocado, sem mesmo a perceber.

O que destaco são suas melenas curtas, desgrenhadas,
com meus olhos desatentos e, ao mesmo tempo,
focados em toda sua magnificência.
É tempo para amar. Mas como amar sem ser amado?

Um pouco desajeitada, ela caminha a lugar nenhum.
Imagina, penso eu, estar em outro espaço,
onde meus versos poucos e escassos não a importunariam.

Mas Helena sabe que, se me olhar diretamente,
seu amor será revogado, seus olhos perdidos, seu coração apaixonado...
portanto, evita contato, o tato, disfarça um amor já instaurado.

Limítrofe

Quando o ego se impõe
ao céu de diamantes,
rastejamos à procura
de um vazio interno.

Não quero acabar aqui,
não quero estar em teu
coração de pedra.

Quando o ego inflamar,
trauma liberará suas asas...
deixe-me ir... deixe-me ir
para longe, por trás das colinas do amor.

Não quero estar no limite,
como o hoje e sempre
de meu próprio e pétreo coração.

Quero ser eterno em mim
- mesmo sabendo que
a finitude e quietude não
se contrapõem.

Não estou aqui, nunca estive lá.
E, de fato, haverá tempo para que o mundo
acabe nos destroços da mente.


-

Em meio às angústias de meus sonhos,
em meio aos caminhos sinuosos e risonhos,
quem viu o que não viu torna-se insano,
e a poesia desfalece sem dar razão ou sentimento.
Não há nada, pois, exceto a tristeza,
o amor e a falação do coração humano;
ainda sou pouco, um pouco louco, pelos tormentos
e momentos que cercam a angústia de quem vive.


Visão

Teus olhares me refletiam,
depois daquele infeliz martírio,
e, após um doce delírio,
almejaste alcançar meus tormentos.
Teus lábios luziam, apaixonados,
à espera dos meus, semi-cerrados,
para, depois de milhões de beijos
e lágrimas, os braços entrelaçarmos.

Após triste encanto,
meus sentidos e sentimentos
perderam-se em recanto.
Deixei-te solitária, miserável,
melancólica, inconsolável...
e só depois de perceber,
tornei a cantar, a amar, a viver.

Teus olhos, entretanto, me refletiam, distantes,
depois daquele infeliz martírio,
e, após um doce delírio,
almejaste livrar-te de meus tormentos.
Teus lábios luziam, ainda apaixonados,
à espera dos meus, desinteressados,
para os meus calarem o amor de teus corações
com um sutil convite à morte e depressões.


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

-

Além das espáduas que luzem
olhos desatentos e cabelos pálidos,
pulsam-lhe versos e lábios cálidos
que amam, sentem e reduzem

o sofrimento de meu próprio e inteiro
mundo. O encanto que tua face festeja
contradiz o que seu olhar goteja:
um triste coração, tenro e companheiro.

Ah, se pudesse ouvir sua alma inocente
enquanto recito poemas de minha autoria.
Não seria uma doce voz, somente,

mas a própria e viva poesia,
que agora bate à minha porta insistentemente,
pedindo mais amor e menos melancolia!

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Mundo

Escuto por aí que a vida é eterna,
não romântica ou religiosamente,
mas por uma parte de mim que mente,
e se diz do mundo uma luzerna.

Uma escala de tinta, uma escala de merda:
não temos grandes ambições, senão
atingir um ou outro leviano coração
- cidade que para no que se diz alterna.

Se estou contigo, é porque mergulho
em meio à treva do egoísmo e orgulho
- jamais por qualquer outro sentimento,

Se estou contigo, não sinto amor ou tormento,
mas fabuloso e esplêndido contento
por chamar-te, assim, de querida ou amor.

Nunca mais

Ninguém a chamará mais.
Ninguém a importunará,
pois são imortais
as rosas que, lutuosas,
despejei por tua cova.
E ri, sorri, e ri...
ao pé de tua alcova,
quando me deixaste aqui:
comemorado a alegria
de ter-te morta a meus pés.

Ninguém a chamará mais, querida.