segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Crescimento

Durante as lágrimas, os medos, as agonias,
os olhos vermelhos de sal à fronte revelam o sofrimento caricato do eu-poeta.
Escalo e me esqueço dos rochedos de meu pétreo coração,
por onde perambulei meus versos revelhos e doces sonhos de criança.
Contemplo meu mundo, os paradigmas de minha cidade, repleta e rodeada 
de formigas e formigueiros,
de poucos ninhos e inúmeras gaiolas,
de densos amores fracassados,
se condensando às minhas histórias recapituladas.
Caminhos cruzados por víboras pulsantes, castelos de areia despedaçados à orla de meus olhos solitários...
Pisaram em meus olhares, vomitaram e escarraram em minhas vozes.
Opto pela escrita, pois aqui ninguém atinge a calma aparente, a quietude das coisas, o sofrimento e tino do eu-poeta...
Somente o próprio e a extinção degradante do mundo que me cerca ao entrar em conflito com meu universo, que me consome.

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