sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Infância

Era uma infância atordoante.
Sem amigos, era o que escrevia,
pois sua mente o dizia
que era um moleque degradante.

Irritava-se com quem o queria bem,
calava o pranto, a quietude o permitia
chorar em silêncio a melancolia 
que até hoje o atém.

Era o diabinho do sentimento.
Somente com livros e imaginação,
perdido, só, na solidão,
esquecia-se em seu esquecimento.

Quanto mais parecia lutar,
aprendeu a derrota,
surtiu, então,  uma dor remota
a partir do desejo de amar.

E amou. Amou a sós
o que o tornava poesia:
somente a dor, de si ria
por não ter eco ou voz.

Era uma infância atordoante.
Sem amigos, era o que escrevia,
pois sua mente o dizia
que era um moleque sufocante.

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