terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Há pouco

Amor, que será, amor, sem amor?
Viver deliberadamente, caminhar pelas lâminas de névoa que sobrevoam minha mente,
sonhar um sonho infante, sentir-se pleno no vazio?

Não se lamente, não sinta-se sozinho,
pois a vida é lamentação e a solidão bate à porta.
Há pouco tempo para viver.
Há pouco, vivi.
E o que há para ver
é a tragédia de existir.

Amor, que será, amor, sem amor?
A canção de mim mesmo grita nos vergéis indomáveis, impassíveis.
Sou parte daquilo, estou ali, de fato.

Atenciosa, amorosa e gentilmente,
tornamo-nos seres sociais.
Reduzidos a algarismos, resumidos em poesia,
nem mesmo lemos nossos poemas,
nem mesmo estamos presentes.

Amor, que será, amor, sem amor?
O tempo passa e a vida se extingue,
não me ensinaram a escrever um poema, não me ensinaram a viver plenamente.

Nem mesmo sei quem sou.

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