terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Lembranças

esvazio garrafas
enquanto penso
num amor
despropositado.

vejo a mesa repleta
de um vazio absorto
em meu próprio vazio.

livros já não são
suficientes para
narrar a existência.

porém, ainda amo,
rijo e violento.
numa intensidade
anacrônica
e prazerosa.

mais garrafas esvaziadas.
silêncio.
o fumo parece ser
solução para a ansiedade.

o coração, sôfrego,
a mente insana.
a mão, morta e lôbrega
é a fuga vil e humana.

ela se deitava
na própria mesa,
aquela, do pleno vazio,
e ia tirando
a roupa enquanto
nossas vergonhas se tocavam.

agora,
somente livros
me acompanham,

e meu anjo caído
se contenta em enrijecer
com fotos e fatos...
que só servem para preliminares.

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