sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Palas

Corpos, tumultuosamente unidos,
em laços de miséria e acordos sombrios,
em umbrosas e noturnas plagas
- por onde se estendem os domínios das negras asas
de anjos nefastos e caídos.

O amor desfalece sobre as costas dos transeuntes.
Fico atônito, angustiado, frio e acústico.
Seus ecos ocos me invadem e já não me possuo.

Meus sonhos, por sua vez, dissonantes,
contemplam a continuidade do cerco
das tais lôbregas asas infantes.
É certo que voam acima de minhas cabeças
e que minhas mentes são deveras profundas e rasas,
mas elas crescem e transformam os meus em pesadelos.

Corpos, tumultuosamente unidos,
somam-se gota a gota, carne a carne, reduzindo-se a algarismos.
Estaremos todos imundos, pérfidos, feridos
ao somarmo-nos ao monte de merda amorfista... aos angelismos.

Corpos, tumultuosamente unidos,
em laços de miséria e acordos sombrios,
em umbrosas e noturnas cidadelas de Palas
- pela qual lutam e honram os domínios das entrevadas asas
de anjos nefastos, caídos.

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