segunda-feira, 23 de março de 2015

Eras uma (ilusão)

Porém, os espelhos refletidos em teus olhos
queixavam-se da semi-cerração contínua que proporcionavam
a volúpia e ternura, as lágrimas e melancolia;
dentre todas, uma, mas eras dúbia.

E teus lábios tormentosos, frios e empalidecidos,
trêmulos, tocavam a face do espelho umedecido.
E, no ápice dos gozos, ante a face de um amor idealizado,
dentre todos, um, mas era apenas um delírio.

Ah, doce martírio! Almas insanas e lúcidas, palpitantes, e o tino mudo...
O espelho era um. Porém, era trincado.
Ó, solidão! Ó, tristeza! quando se tem tudo
e, em pouco tempo, só resta a certeza de um amor a ti negado!

Desfizera-se a ira, esvaiu-se a mentira!
O olhar ardente e espelhado, os lábios rasgados,
o beijo gélido e cálido de abraços longos e apertados,
todos se foram... e só ficou... o quarto vazio.

Agora, vejo-te, amada. Vejo-te pálida e bela.
Vejo-te calma e discreta, indiferente e secreta-
mente apaixonada pelo reflexo que vira nos cacos
infelizes e desesperançosos de tuas ilusões.

Vejo-te daqui, de todo canto, agora e sempre.
Vejo-te com cautela, amorosamente e com aquela ventura,
noite por noite, hora a hora, com o que me resta de amor...
te faço livre de toda amargura!

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