quinta-feira, 12 de março de 2015

O amor e a realidade

I

Talvez ainda ame a garota que amei.
Mas não posso saber um amor
sem o consentimento da outra parte.
Apesar de tudo, não sinto que já sei
que o amor quer que me descarte.

Talvez ainda ame, e talvez ame ainda
a angústia e a obsessão que me traziam
aqueles olhos-simulacros, dissimulados.
Apesar disso, minha angústia faz-se finda
e meus próprios versos se demonstram
falsos, cegos, torpes, apaixonados.

II

Em paraísos artificiais, na líquida felicidade,
conduzimo-nos ao abismo.
Escapamos de nossa própria e corriqueira realidade,
que já não é suficiente,
enxergando o mundo por outro prisma.

Mas para onde vamos?

Não vamos.

Apenas ocultamos a face que não nos agrada.
Apenas nos apaixonamos por uma idealização.

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