quarta-feira, 18 de março de 2015

Ópio para o povo!

O despertar das realidades invisíveis,
conjurado pelo afastado e silencioso poeta,
é reflexo do uso não credenciado e muito difundido
(pelas anomalias sociais) do ópio e do haxixe.

Impregnado, dissoluto, volúvel e estancado,
o tesouro toma o paraíso para si
num grande golpe, num grande movimento
já deveras visto e enigmatizado.

E o mundo de delícias, o ideal artificial,
a nuvem púrpura de malícias,
um inferno doce e cerúleo
de um inferno vago e irreal

se tornam o cansaço, a não identidade,
restos de uma festa de íntimas sensações,
resquícios de sonhos lúcidos e bem vividos,
instantes de sólidas e vivazes emoções.

Que seres formidáveis seríamos se nos entregássemos
ao espetáculo, à liquidez, à vastidão da cólera misteriosa
e aos impulsos de uma vivência no ápice da existência,
no centro de toda a imaginação e prazer.


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