segunda-feira, 23 de março de 2015

Solilóquios

Assentada a noite,
cerra tuas pálpebras repletas de lágrimas
e deixa tuas límpidas entranhas
amargurarem melancolia.
Deixa tua doce e pequena mão cair,
sonha, mas sonha sem dormir
em meio à torrente de pobre poesia.
Acaso um eco, uma sutil memória tua de mim retorna?
Que espectro ressurge aos lábios teus?
Murmura-me!
Venho das brandas e solitárias trevas
ou da luz desbotada dos olhos meus?
Tens saudade ou desejo?
Tens remorso ou martírio?
Assentada a noite,
murmura-me!
Perceba-me aqui...
Quando, obscuro e sonolento,
à luz me entregar,
serei teu por completo, com um eu
mais que repleto
e, por ti hei de me apaixonar,
ó solilóquio, ó desalento!

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