domingo, 5 de abril de 2015

Por um momento sonhei sonhar o repouso da cabeça à relva eterna

Por um momento sonhei sonhar o repouso
da cabeça à relva eterna, às extinções do sol,
ao desprazer e desamor que sinto aos fins de tarde.

Porém, em seus negrejantes, lúgubres e infindos
delírios e viagens, o carrossel de nossas mentes
girava, entorpecia e extasiava os impulsos.

Cego, foi-se o dia, e não houve dúvidas
quanto ao desgosto que desolava e iludia
as pobres almas mutiladas, esquecidas.

A relva, fria como nossos corações, desfazia-se
no pranto das crianças, assombradas com paixões
e fantasmas de amores passados, mas presentes.

Assombrados pela cólera e miséria, nossos filhos
se matavam, enforcados, sem antes se deliciarem
com as sombras da desconstrução de seus eus.

Eram e somos nada: inertes, cansados, nus, possuídos
pela podridão de nossos Estados individuais
de narcisismo, loucura, educação e medo.

E, na lobrega profundeza de um amor condensado,
sofremos por estarmos muito perto e muito longe,
muito parecidos e muito diferentes.

Mas ao acordar, triste, em meio à treva, percebi sua face
em mim, inverso; enquanto você a mim refletia
e eu bebia de seu sangue: éramos, enfim, o universo.

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