sexta-feira, 3 de abril de 2015

sozinho na palidez de minha mente

sem significados,
tudo que digo
ou escrevo
parece tomar
conta de mim.

e martela
minha cabeça,

e invade
minha inquietação.

sem significados,
atravesso um mar
de fogo,
um hospício
para meus versos.

meus olhos castanhos
jazem na penumbra
de duas estrofes
e versos esparsos.

meu quarto desbota
no amarelo da luz escura.

a cortina, torcida
sobre a cama,
sorri à janela entreaberta.

os livros, empoeirados,
cantam e dançam
o não manuseio de hoje.

prefiro Light ao Reds
prefiro vodca à cerveja
prefiro morte à vida.

a escuridão da luz se ofusca,
o vazio da TV ligada se desliga,
e já me preencho de inteirezas.

sem significados,
o poema vai tomando forma.

carteira vazia,
preciso de um empréstimo.
que lástima! a vida me detesta.

deito.

as mulheres com quem dormi
voltam à penumbra de minha cama.

o anjo caído se ergue do pensamento.
e a alegria enche as paredes de seiva.

as palhetas e violões se despedaçam
no ar entrevado. é noite aqui dentro.

o ventilador ligado ao armário de mogno.

levanto.

me sento na cadeira rangente
e me delicio com a ilusão de um
momento bem aproveitado.

silêncio.

sozinho na palidez de minha mente.

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