terça-feira, 19 de maio de 2015

Meu eu mais que repleto

Ah, como queria meus revelhos sentimentos,
meus intensos amigos e a insensatez dos tormentos
reunidos em minha cabeça neste instante
em que deixo de ser martírio para me tornar amante,
em que deixo a responsabilidade de lado e me viro infante.

Ah, como queria poder ser sem julgamentos,
como se todos voltassem, a todo momento,
os olhos para si, numa gestual indagação:
o que sou agora - que não fui até então?
Já não basta contar o tempo, à divindade, com a emoção.

Ah, como queria me matar em mim mesmo!
Como queria ser livre de qualquer relação.
Queria caminhar sozinho, a esmo,
estar somente com minha própria podridão!

Ah, como queria deixar de ser!
Como queria que me esquecessem por completo,
- meu eu mais que vazio ou repleto,
que agora se deixará morrer!

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