sexta-feira, 19 de junho de 2015

Imperfeição

como caminhasse, desolado pelas estradas
que ligam seu corpo ao meu, desnudo;
pelas rochas que conectam o precipício
de meu âmago ao teu pétreo e desamado coração;

como fosse feito de decepções, ela me injuriou,
o que, como ela mesma sabia, somente traria
novas mágoas e frustrações para meu doído,
desbotado e pétreo consciente.

ainda, como escapasse da escuridão de meu eu,
que tanto sofreu e tanto se afastou devido às
batidas estridentes de nossos corações violados,
cegaram meus olhos, ela me apaixonou.

e como estivesse perdido em meio à treva,
tateei as paredes (que gemiam! que gritavam!)
e nada encontrei, senão um cíclico percurso
agoniante e deveras ensimesmado.

 ela se retirou de minha mente, o amor se fora,
nada havia, mas a tristeza de um sentimento
diluído ao ser libertado... nada havia, porém a
memória de um poeta apaixonado.

todavia, como minha imagem refletida em teus
espelhos trincados, não pude deixar de atribular
SUA mente por um momento infindo e sufocante,
um instante de puro desamor e crueldade.

não durou muito e os eufemismos começaram
a tomar conta de sua morte... eu sabia que se
matara, sabia que eu era o causador de sua
angústia e de sua paranoia,

mas nada importava. como não bastasse,
aprendi a gostar de outra pessoa, cuja morte
sucedeu gargalhadas e sorrisos estúpidos
de minha parte... o trabalho estava feito.

seus jazigos, seus novos lares, pareciam muito
confortáveis. deitei-me com elas e fizemos amor
pela última vez. os cadáveres pareciam sorrir
e eu gozava minha felicidade infinita.

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