sexta-feira, 26 de junho de 2015

Lampejo

iluminado
de ouro cerúleo
quente e vermelho
distante e apaixonado
profundo e confuso
sob o caos que se instala
e exaure a ilusão
a imaginação
e tantos pensamentos...

semelhante
porém diverso
o mesmo
o outro
eu

um céu se pondo
ao desespero
e à melancolia de
versos
incandescentes
e agonizantes
segue seu caminho
jamais o mesmo
jamais o outro
jamais em mim

e se vai
em contraste com nossas
almas
perpetuamente
estagnadas
para sempre
apaixonadas
pela existência
carência
fuga

em solavancos
caminho meu trajeto
soturno e escancarado
para os demônios que
outrora o invadiram

estou mais esperto,
desperto
e perto
de minhas solidões
ilimitadas

porém
não corro
mantenho a calma
e caminho
em direção ao infinito
de minha memória

percorro
então
as lembranças
de um infindo marulhar
de um infindo oceano
a meus olhos infantes

hoje
embora deserto
decerto o percorro
com a dúvida
que me angustia

despejo
portanto
minha
triste poesia
em cartazes em branco
entretanto permanecem
esbranquiçados
e desbotados
como o coração
de onde se sucedem

para sempre meu desdém
se desenvolve
franzino e desinteressado
para sempre diverso
o mesmo
o outro
eu
um não poema
para a sociedade que
me chocalha em cruel
dissonância.

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