quinta-feira, 4 de junho de 2015

Noturno

Fecho os olhos por um breve momento
e é noite escura e infinda das brumas fatais.
Perco-me, atônito, incerto de meu sentimento,
nesta imensidão noturna - de olhos mortais.

Transcrevo lânguidas palavras sobre meu tormento;
não suporto ser considerado como um dos "normais".
A morte me abençoa, me leva consigo em um alento;
não vivo, não quero viver e não viverei jamais!

Com mãos trêmulas, ergo a arma e atiro.
Os sentimentos se esvaem e a mim firo
como se em vida não tivesse sofrido.

Caminho pelo vale dos suicidas - e enfim me rendo.
Queimo na chama infernal com os pés doendo,
mas já não sofro... não lamento o tempo ido.

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