sexta-feira, 19 de junho de 2015

Nunca

nunca te terão por completo, meu amor;
se não te tenho aqui comigo,
carrego teu coração como amigo e como amante,
com beijos ardentes e abraços apertados
- que nenhum outro pode dar,
porque estão presos e foram cegados,
amarrados em suas individualidades contrastantes.

nunca te terão como eu, meu amor,
pois somente as coisas que digo
podem atingir o âmago de uma breve e doída
ausência (somente sentes a falta,
que não é falta, mas a ardência de tuas
palavras jogadas pela janela,
procurando endereço
e se entrelaçando com o silêncio).

nunca te verão como eu, querida;
se não te vejo em minha frente,
imagino - sempre bela e dissonante,
sempre inocente, indecente e consoante,
dependendo tão somente de seu estado
emocional, de seu ímpeto e, é claro,
de seu tão agravado e amoroso apaixonar.

contudo, não queres ter meu amor.
preferes a solitária existência disjunta,
a distância, o agravamento de um enorme
e desencorajado sofrimento, que só se expande
para dentro de ti.
enquanto isso, eu, aqui, também em sofrimento,
também filho da maldição e do tormento,
sinto muito por sentir tanto...

por te amar em demasia, pensamento e poesia,
por te amar em minha doce e singela melancolia,
que só se aproxima, em intensidade, de meu amor
por ti e por toda a tua emoção e contentamento.


Nenhum comentário:

Postar um comentário