domingo, 28 de junho de 2015

O Carrossel

sairei
desta noite fria
dançarei
a valsa
de minha
inércia
e
caminharei
pela rua deserta
até que
minha arte
pague a vida

até que mova
o mundo (de algo
ou alguém)
com palavras
e saia deste circo
girando em
um carrossel

meu carrossel
gira
gira
em suntuoso escarcéu
(viva!
viva a melancolia!
viva a poesia!
viva!)

meu corcel
gira
gira
carrossel

vento lá fora,
vem me buscar!
férreas ondas gélidas
cálidos
calos
calam minhas mãos

o vento sopra
em júbilo e algazarra
arranca restos da terra
encerra em mim
assim
olhos fechadinhos
que mal enxergam
o perto
tampouco o distante
ante meus olhos
está a sombra
de um amor
de outrora

porém
mais uma vez
gira
gira
o carrossel
gira
gira
e gira ao léu

pois o perco
de vista
por um momento
infindo
que resulta
aqui
no choro

no coro
de vozes alternas
caem do
céu as asas
de minha imaginação
de areia e vidro

corre o carrossel
sempre mais rápido
sempre mais bestial
entretanto
a noite fria
fica para trás

atrás somente
da surpreendida
noite sem fim,
em mim
batem os cortantes
soluços
até que mova
o mundo (de algo
ou alguém)
com palavras
e saia deste circo
girando em
um carrossel

meu carrossel
gira
gira
em suntuoso escarcéu
(viva!
viva a melancolia!
viva a poesia!
viva!)

meu corcel
gira
gira
carrossel

leva-me daqui
carrega a nudez
de minha alma
lava meu corpo com
teu sangue!
e me salva de minha própria
inexistência
limitada.

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