quinta-feira, 2 de julho de 2015

Cri$to é a $alvação

memórias
da gente remoendo
a loucura,
morrendo os
esfarrapados
e nos fodendo
sob a sotaina
retornam ao
crânio entreaberto,
às janelas da mente,
devo dizer,
pois não há muito
- não há muito agora,
porque ainda cremos
que nosso dinheiro
será a salvação
quando, na verdade,
são queimados em
cestinhas metaforizadas.

acho que não sei muito,
e talvez nunca venha a saber
muito sobre algo.
mas estou certo
de minha pequenez.
estou certo de que há algo
maior,
algo em que devemos acreditar
e entregar nossa pífia
existência.

as sombras ao redor dos olhos
não são de todo intencionais.
noites eternas passo acordado
pensando em ti.
penso naquele instante de gozo
e gozação.
porém, não.
devo parar aqui.

o silêncio contempla teu corpo
nu e cheio de cicatrizes.
são marcas de guerra.
são feridas da batalha contra ti mesma,
contra ti, minha amada,
quem irá se salvar?
o monocromo de uma vida
(sem vida) pautada na falta de ego.
falta de autoestima, declínio.
por isso cremos!

aqui fumamos, aqui estamos
sem nossos sonhos merecidos.
a terra prometida é a certeza
de uma vasta escuridão.
o nada nos consome.
o vazio nos petrifica.
a guerra nos apetece.

meu amor, isto é só sexo.
o amor que tanto pregaram
se foi faz tempo.
tudo é pseudo-amor.
tudo é repúdio discreto.
mas eu decreto:

o paraíso voltará a ser gratuito
após o vencimento do último boleto.

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