sexta-feira, 17 de julho de 2015

Enforcamento do adormecido

sou um garoto infernal,
capitão!
sou metade homem, 
metade erro.

sou a passagem da noite
ao frio de teu ébrio e desmedido
e doído e intumescido lábio
à face desprendida de mistérios.

condena-me!
a noite inteira me foi
repleta de desventuras:
the sleepers ainda dormem, nus;
ainda fluem, de mãos dadas,
minhas angústias e descontentamentos.

o naufrágio se estende ao céu
e beija o desespero enquanto
sou apunhalado pelas costas
por minha própria gente.

sou um garoto infernal,
capitão!
e agora deixamos de ser um só.

estive de passagem nesta vida,
assim como deves estar de passagem
por meu corpo estendido.
não sei, realmente.

agora que não há retorno, 
agora que não tenho meu próprio Fuchur,
agora que estamos unidos,

meus descaminhos me guiam
pela estrada mortuária.

desfaleço, 
capitão!
minhas forças não escaparam 
do desastre, da perdição, de meus próprios
enigmas e segredos.

enfim... me esqueço.
assim como deves me esquecer
com o tempo...
ou então, "ah, aquele garoto...
era um bom marinheiro, pobre coitado".

jamais arrependido,
minha eterna saudade de ti, capitão.
a canção de mim mesmo se encerra
em uma triste e doída poesia
sem a face da glória ou do meu próprio... 

perdão.




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