quinta-feira, 30 de julho de 2015

Macário

meu mundo se assemelha
ao reflexo de teus olhos:

tão perto minhas mãos o envolvem,
tão longe de ti meu destino se traça.

olhos estes que permeiam o desespero,
a poesia e tristeza das coisas,
a dúvida e insegurança...

olhos que se ausentam e me olham pelos cantos,
olhos que debruçam nas noites tristes
um amor que jamais será amor.

meu mundo se assemelha
ao reflexo de teus olhos:

tão perto - que a solidão se faz obtusa,
tão longe de ti - que ainda me desfaço.

meu único recurso para suportar a monotonia
da realidade, do tédio e do convívio é o amor.

mas como estar sozinho em meio à companhia,
como estar acompanhado em minha solidão?

não é angustiante não poder ter alegrias que penetram
e corroem a mente com ardor e futilidade?

não é o mesmo, aqui, sem teus olhos motivacionais.
não é o mesmo amar sem ter um amor.

mas não morrerei nesta noite fria dos suspiros de julho,
não morrerei por tua ausência.

impossível, Macário, morrer por alguém.
ninguém vale tanto.




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