sábado, 18 de julho de 2015

Miserável

com o grito mudo dos desesperados,
estanquei a alegria de minhas entranhas.
estive só - através das formas a mim estranhas,
em meio à cegueira dos apaixonados.

exultando no meu profundo abismo 
corroí minhas afinidades, minhas amizades
e todo o imundo e precário lirismo
que cantei no tempo da mediocridade.

e ele perdura! tarda-me o sentimento!
surdo, meu desespero desorienta
o corpo que vive do tormento!

cego, o ignóbil som oco me assenta na depressão de 
um triste coração lamacento,
que, mudo, amaldiçoa minha vida com seu miserável acalento.

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