segunda-feira, 13 de julho de 2015

Poema da observação

Cartas brancas e invernos azuis,
logos e números,
nomes e cores e linhas,
lindas memórias infinitas
da chuva de outono, que
abre passagem para o frio
chegar...

Ínfimas pessoas, estancadas em detalhes,
flutuam ao longe com seus guarda-chuvas
e terninhos, e toda a ilusão se esvai
até que saio, enfim, cambaleando
minha sóbria embriaguez...

E os emergentes! Ah, os emergentes!
Entediados, famintos,
desgraçados, levianos, corrompidos...
ecos de uma face de promessas
e dos erros dos novos ricos,
seus próprios ventríloquos,
que se esquecem que se deixam manipular...

São barquinhos flutuantes,
arrastando, pela proa,
estratos de solidão,
lacunas preenchidas por medo,
carência e todo o desatino
de um ego despedaçado e ausente...

Avisto dois borrões foscos, entrevados:
metamorfoses de minha mente,
dois paralelos se encontrando,
dois corações perfurados,
criações de um outro distraído
por um eu apaixonado.

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