terça-feira, 4 de agosto de 2015

Infortúnio

É terrível me instalar em teu olhar,
em teus sabores e perfumes,
em teus morros, avenidas e volumes
e morrer sem te tocar.

É meu infortúnio estar no negrume,
na monotonia insalubre de teu mar
sem em tuas espáduas me afogar,
e mesmo assim sentir ciúme,

pois teus olhos ardentes me petrificam,
enquanto tuas ondas e marolas solidificam
o amor que sentes por outro.

Mas já te esqueço, querida minha, esqueço
enquanto, por sorte, de mim mesmo desvaneço
e morro pouco a pouco.

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