quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Minha mente não é a mesma que foi

Minha mente não é a mesma que foi,
e tudo que pensei já se encontra
à sincera e obscura luz do desatino.
Enquanto as sombras de minhas companhias se dispersam,
e, ironicamente, se englobam entre si,
tento esquecer os versos que fiz.
Entretanto, passo a vivê-los cada vez mais,
torno a sofrê-los...
torno a lembrar de mim não como solução,
mas como erro...
Sou um poeta de um eu abalado, afinal:
Tive minhas visões, porém as abandonei.
Tive minhas sensações - e as desperdicei.
Gosto de revê-las, de olhá-las com um desprezível soslaio,
que, de desafortunadas lembranças, se fez desimportante, esquecível, invisível.
Quando me sentia eu, nem tudo eram rosas.
Todavia, o abismo que se abriu aos meus pés, a fonte de desesperança, o poço de lamentos...
É difícil lutar todos os dias contra si mesmo.
É difícil ter sido amaldiçoado e entregue aos trabalhos do esquecimento.
Pessoas passam docemente felizes - aos meus olhos,
amarga e rigorosamente infelizes.
Elas sorriem, elas cantam, apesar do cansaço e do sofrimento.
Eu não consigo.
Ainda me sinto sozinho - mesmo acompanhado;
ainda me sinto desamparado, mesmo trilhando meus próprios descaminhos.
O que vêem aqui já foi visto e revisto por velhos e revelhos olhos senis.
Já cantaram a canção de mim mesmo,
já exaltaram e exultaram de uma felicidade
que, infelizmente, não cabe em mim.
Devo encerrar os trabalhos por hoje.
Amanhã será um novo dia.
Torço para que não seja um novo fracasso,
um novo desespero...
Mas quero, talvez, ser mesmo esquecido.
Só assim poderei me atirar ao abismo que me envolve
sem causar dano aos tão felizes e alheios
demônios de minha mente.

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