domingo, 11 de outubro de 2015

Vênus

Meus olhos beijam a eloquente fisionomia dos teus,
ora cerúleos, ora esmeraldinos, glóbulos sexuais
enquanto estendo meu corpo sobre o teu e me pergunto
onde devo parar de lamber teu aspecto - pálido e entristecido.

Tua cabeça deixa-se cair levemente magnificente e esplendorosa.
As duas orbes me examinam de cima a baixo... mas não resplendem sentimento.
Apenas o palpitar de tua ansiedade, outrora petrificado,
mantém-se vivo em meio aos mudos solilóquios de teu coração.

Isso é tudo que de ti entrevejo. Tudo que desejo e manipulo.
Contudo, minhas tentativas de reanimar teu espírito febril
são dissolutas, diminutas e dissipadas.

Estás morta dentro de ti, minha cara!
Estás absorta num mundo de perplexidades, extasiado e inundado
de sensações atribulantes. Não obstante, o que vês é o nada!

Meus olhos soslaiam, oblíquam e dissimulam tua imagem,
de certo, outrora idealizada. Martirizo-me, sôfrego, e desatento...
enquanto teus passos sutis erguem-me de repente.
Ainda respiras, ainda te moves, porém morres a cada segundo!

Teu vasto entendimento te fez sofrer, adorada.
Talvez agora saibas o que é o amor. Talvez saibas a que vim...
e, talvez, queiras sofrer junto a mim neste império catastrófico
que nos consome cada vez mais.

Isso é tudo que de ti entrevejo. Tudo que desejo e manipulo.
Contudo, não posso entrever doravante. Deixo o futuro à mercê do acaso e espera.
Viva, por favor, mas só se puder, que viverei contigo como escravo, amante, amigo...

Isso, repousa! Deixa a cabeça inclinar-se sobre meu ombro.
O afago é instrumento alternativo para o relaxamento.
Deixa que tenhamos um pequeno momento de dúvida e esperança,

de amor, de cólera... e sofrimento.

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