quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A mim

Começo a desconhecer-me. 
Apesar de ter sido o que os outros fizeram de mim,
o que a vida me tirou e, em si, substituiu é rico. Enfim existo.
Agora, sou o que não sou e o que pretendo ser.
Sou a ínfima parte de uma existência
- em um universo desconexo e encantador.

Começo a esconder-me,
e os versos são meu refúgio.
O Naufrágio se foi e com ele parte de minhas amarguras.
"Por que não todas?" - você me pergunta...
Ora, não seria vida se não houvesse lamúria.

O infinito sossego é, enfim, a paz interior,
é sentar e ler um livro sem pressa em terminá-lo,
é desligar os meios de comunicação
e estar no sossego de mim mesmo por um segundo
- sem mágoas ou ressentimentos.

Começo a desconhecer-me,
e por isso meu peito suspira.
Estou envolto, novamente, por uma camada de glória
e de tesão.

"O que a vida te reserva?"
Um mistério próximo ao devaneio 
de um poeta deprimido.

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