domingo, 6 de dezembro de 2015

A uma desconhecida

Sou o outro, sou tu e até mesmo eu,
a chama que esfria a alma inquieta,
a dor que ao peito suspira e aquieta:
sou de todos - só sendo teu.

Teus espíritos metamórficos e teus ditames
singelos e humorados, 
sozinhos, porém sempre acompanhados,
todos corações envoltos na película de arames...

Intocável, sou a mísera parte de tua memória.
Sou a ínfima parte de alguém que não se conhece,
e sou, para ti, algo que me entristece,
por achar que sou tudo e, do todo, tua história.

Sou para mim um nada de um todo.
Talvez aches que sou mais que isto,
todavia, logo e sempre desisto,
pois estamos sempre distantes, de todo modo.

E, embora sejamos, de fato, desconhecidos,
quero que minha palavra perfume teu corpo,
quero ser mais que outrem, pouco a pouco,
quero, com amor, curar nossos corações adoecidos.

Mas a verdade é que gosto de conversar,
de tua presença, mesmo não estando,
e, de ser, por vezes, mais que um estranho,
que somente deseja ter alguém para amar.

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