sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Até

apesar de hoje só encontrares sorrisos
em meus olhos escancarados,

verei, no futuro, lágrimas nos teus,
e, nesse dia, 
chorarei como um menino triste
assim como Pablo foi...
assim como eu sou.

deixarei o perfume de teu corpo,
as palavras que evoco para e por ti.

deixarei minha fortaleza, querida,
e, então, sucumbirei ao que nunca disse,
ao que nunca atingiram meus versos...
melancólicos demais para mostrar qualquer
quantidade de amor.

assim, partirei
e não mais beijarei teus olhos semiabertos
na escuridão cinzenta de um domingo à noite,
quando os fantasmas despertam
e somente nós podemos espantá-los.

não serei mais eu que enaltecerei tuas qualidades,
tua inteligência e todos os trejeitos e manias,
que sempre foram tão especiais para mim.

não serei mais o mesmo,
porque, nesse dia, quando chorares,
eu terei falhado.

terei permitido, apesar de ser comum à vida,
a tristeza de entrar em tua mente.

portanto, direi adeus.
e nunca mais nos veremos.

encontrarás outro que te dará amor,
te lembrará como és linda à luz de seus olhos
e te fará ser, novamente, feliz como sempre fora.

mas não me esquecerás.
porém, não espero que te lembres.

o futuro te reserva felicidade,
e isso não é cabível quando se ama 
alguém totalmente insano e instável...
alguém mentalmente doente - como eu.

quanto a mim, só o tempo dirá.
se é que ainda tenho tempo aqui.

contudo, onde quer que esteja,
lembrarei de ti.
lembrarei dos instantes e intentos,

da chama que despertaste em meu
choroso coração abrasado,

do eco que soaste em mim,
da aprendizado e do esquecimento...

estes, minhas maiores virtudes.

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