quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

do ateísmo

Abandonei a Divindade
quando conheci meus numes,
pois só com eles tenho felicidade,
e todos a mim são lumes!

Estive só, porém feliz.
E se estiveres também,
veja, solitário, ainda ris
- com um maravilhoso desdém.

Ele me observa, ainda, com saudade.
Ele depende de mim para existir.
Bebamos e sonhemos à luz da mocidade,
do sóbrio espírito, que me faz sorrir.

Bebo à memória do Deus vivo, que morreu
enlouquecido - por um povo que não o merecia.
Hoje, sem ser divino, um triste e simples filisteu,
aos que aceitam a realidade e sua melancolia.

A quem tu bebes, glorioso e liberto só?
À gente que te matará por seres quem és?
À lembrança de termos vindo do mero pó?
Às crenças implausíveis de um povo a teus pés?

A vida tem suas belezas,
mas dádivas são o ceticismo,
a mente livre das tristezas,
e a libertação do cretinismo.

Prefiro drinks mais pesados e profanos.
O senhor gostaria de ver a cortesã Maria
em espetáculos obscuros, lesbianos?
Creio em todo tipo de poesia.

Não? Insaciável a falta de entendimento...
Foi bom conversar contigo,
todavia, preciso seguir desviando do sofrimento.
O mundo é lindo quando se tem um Amigo.

Precisamos escrever sobre atrocidades,
nós, meros poetas ateus.
São ocultas e marginalizadas nossas verdades,
mas agora tenho que ir. Adeus!

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