sábado, 5 de dezembro de 2015

Inspiração

Inspire-se com as coisas que demonstram
sua paz interior, sensações e amores.
Inspire-se com tristezas que cantam
a impotência e todas as suas dores.

O cheiro matinal do pão, o leite derramado,
o som e a fúria da outra boca na sua,
o sonho e o pesadelo, o coração apaixonado,
poesia verdadeira, inspiração nua e crua.

Inspire-se com as coisas pequenas,
com a imensidão do hoje em sua mente,
com o desgrenhamento das melenas,
com a cabeça em devaneio, lúcida - ou doente.

A folha dourada, já morta - para um,
símbolo de um fim de ciclo, para outro.
O néctar e o âmbar, o silêncio e o boom,
o que para mim é muito, para outro é pouco

Inspire-se com a coisa que não lhe canse,
pois o nunca sempre chegará
se o sempre não se permitir o alcance
que o poeta jamais alcançará.

Portanto, das coisas próximas, a saudade,
do longínquo, planos distantes e metamórficos.
Erga seus olhos cabisbaixos para a sobriedade,
e com a ebriedade, poetize seus olhos antropomórficos.

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