quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Quão longe

sou muito mais que a maioria
de meus colegas desprezíveis,
que só pensam em si
em enaltecidos adjetivos,
cujo intento seco e ardente é
fazer de nós inimigos uns dos outros.

sou muito mais
desprezível.

sigamos por este universo inquieto,
pela masmorra de nossas mentes.
fumemos um ou dois cigarros
enquanto caminhamos, e deixemos
a fumaça nos carregar pelas espáduas
nuas, juntas e levemente tortas

enquanto ele, o fumaceiro,
adormece e envolve, silencioso,
apenas nossos pensamentos.

ardiloso o caminho entre a fé e a descrença,
porém, o suficiente para animar os espíritos
céticos e, sobretudo, livres.

o mundo é lindo quando se tem um Amigo.
melhor quando o criamos de acordo com nossos
anseios e necessidades.

fumarei outro, pois já estou deveras fodido.

vamos em frente.

as portas, assimétricas, umas na horizontal,
outras na diagonal e outras, ainda, como estamos habituados,
trancafiadas em corpos que não as valorizam,
dão em corredores e escadas, à maneira de Escher,
que ligam tudo - e nada, simultaneamente.

nisso, tudo obscuro, secreto e entrevado, como envolto
numa película negra de infelicidade.

sou muito mais que meus colegas desprezíveis.
muito mais desprezível,
muito mais substituível.
muito mais penumbroso e contido.

                                                                          eles estão vindo.
melhor fingir o adormecimento,
fechar os olhos
e pensar noutra coisa.

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