segunda-feira, 27 de abril de 2015

-

Não sofra meu próprio sofrimento,
mas não abandone nossos olhares inversos.
Enquanto eu, melancólico, canto a agonia
de minhas tristes palavras,
você, a luz da alma, resplende um amor
maior que o nunca e sempre de nossos sentimentos



domingo, 26 de abril de 2015

Trevas

as sombras que vagueavam, imersas em sua solidão,
pela noite sem estrelas, pelo espaço de minha mente,
pelas imagens que ainda consomem e eternizam,
no âmbito interno a meus próprios e intrínsecos e
nebulosos pensamentos, minhas doídas memórias...
os homens que, outrora sorridentes, fechavam a cara
para seus amores, desolavam, vingativos e infantes,
os corações infrutíferos das decassílabas senhoras,
que imploravam luz e entristeciam-se ao perceberem
a invalidez de seus sentimentos - agora tormentosos.

em suas investidas egoístas - que não eram de todo
egocêntricas - o negrejante aspecto de minhas ideias
falia, desfalecia e se entregava aos trabalhos da mente,
e mentia! à medida que as marteladas atriais e ventriculares
sorriam à pequenez de minha morte anunciada.

sábado, 25 de abril de 2015

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Tormento

Entre formas incompletas e hostis,
nasci para ser morto e esquecido.
Não temo deuses e o homem corrompido,
mas minha mente e pensamentos vis.

Conheci a tristeza, que não morre
e fiquei entusiasmado com suas ilusões.
Sou filho do ácido e amoníaco,
perdido em minhas próprias imperfeições.

Se minha vida fosse algo bendito,
não seria eu um poeta maldito
e minha angústia não seria imensa.

As lágrimas que me escorrem
escorrem aos poucos e morrem
como no mundo a minha descrença!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Nota

Adeus! Este texto é a despedida de um poeta de alma querida e pensamentos duros, tortuosos. Serão, para sempre, tormentosos, e não tenho interesse em existir, apenas. Adeus! Este texto é o fim de um poeta de espírito enfim liberto, enfim castrado e sutilmente enamorado pela podridão terrena. Pelos trabalhos da decomposição e aniquilamento, cansei de me entregar à reflexão do pensamento negativista, autopunitivo e suicida. Cansei... de estar nesta corriqueira batalha que é viver. Que cada triste resíduo de minha carcaça apodreça na breve e contínua boca de verme - assim como eu, assim como vocês.

Desde meus infantes momentos, carreguei a raiva e melancolia comigo, descontei em outros e me arrependi depois. E, assim como eu, descontaram em mim a raiva sobre o que descontei, e, ciclicamente, fui desenvolvendo um núcleo melancólico, uma baixa autoestima e, por fim, a depressão.
Não tenho esperanças, não tenho amor, não tenho família ou amigos que possam fazer de mim uma pessoa feliz. Todos os remédios me foram insuficientes e até mesmo meus cortes deixaram de cicatrizar. Não acreditam em mim... todos desistiram e me irrelevaram...

Agora, as lágrimas escorrem...e minhas mãos trêmulas... dizem adeus!

Não quero justificar meu sofrimento e nem preciso me prolongar...

Apenas agradeço todas as tentativas
e digo que não valeu a pena.

Viver é superestimado.

Adeus.

-

às vezes olho para dentro
e vejo que nada me comove
senão a dor interna.

sim, a dor que eternizei nesta pele
em que habito,
neste coração acamado que tanto
se rende aos mais
tortuosos pensamentos e sensações,
que é chupado, mordido, esgarçado
e deveras esquecido, corrompido
e manipulado...

a dor que tanto me comove
é minha.
e os gritos e gemidos que ecoam
nas paredes desbotadas e arruinadas
são parte de minha alegria.


Dor

Tenho minhas tristes
e necessárias agonias:

não existo por existir,
vejo, mas vejo sem sentir

e ao passo que escrevo,
negligencio minhas angústias
para criar algo belo
(aos olhos pessimistas).

Não duremos a carcaça dura;
duro somente a cachaça crua
e sigo vivendo
enquanto meus amigos e conhecidos
queridos e queridos
se entregam a uma genuína e vã
existência.

sábado, 18 de abril de 2015

Querida, de tortuosos pensamentos tenho vivido!

Querida, de tortuosos pensamentos tenho vivido!
São peças de uma importante desconstrução
do eu que sofre e que se coloca ao chão
ao eu que se apaixona e se vê corrompido!

Agora que descansas de uma vida triste e dolorosa,
venho por meio deste findo poema trazer-te infindos sentimentos.
Teu coração pulsa em mim, querida! Pulsam-te os tormentos
sobre uma nova vida, impulsionada pela morte amorosa.

Tenho pouco tempo para descrever os tempos idos,
mas já não amo, de coração ósseo e desnudo,
o que permanece em mim, o que continua sendo tudo:
teu tenro olhar, teus breves lábios - de todo, ressentidos.

Em meio à desventura que é a separação de semblantes,
os pensamentos sobre os quais ainda me lamento
retornam e me castigam o coração lamacento
outrora atordoado com tuas mentiras, teus amantes.


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Universo

Eram escassos e repletos de outros.
Vazios em suas mentes,
eram cheios de si, apenas.
Nunca se importaram muito
com o que outras vozes tinham a dizer.
E jamais se calaram
enquanto os outros teciam linhas de raciocínio.

Nunca precisei deles.
Porquanto não tive contatos nos primórdios
de uma existência pautada na insegurança,
fechei minha voz para o interior
e a eloquência se tornou pensativa.´

No entanto, movido pelos mais torpes interesses,
percebi a necessidade de manter relações
com quem não se importava.

Chamaram-me de egocêntrico e egoísta.
Chamaram-me de doente e solitário.

Mas quem se importa com a visão do outro
quer ter olhares para si.

Eram escassos, porém abundantes.
Abundantes, porque todos eram muitos.
Escassos, pois todos eram um único problema para mim.

Então, decidi que retornaria aos trabalhos de minha mente.
Não preciso deles. Não preciso.
Sou só uma partícula sozinha do universo
em expansão.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Naufrágios

Naufragar é preciso
fracassar
morrer em nossa arte
é o fado
imaginar
listar razões para sofrer
lançar-se, ao léu
ao nado
enfim morrer
parte por parte
até que nada
tenha restado.

sábado, 11 de abril de 2015

Darkness

How few are my emotions! Yet, my mind attracts
more than enough thoughts of sensations and devotions.
Those pills I take to hide my mental illness, my madness
and all those thoughts about death and lack of time to live
end me in agony and faintness.

My struggled heart, my grasped brain and caged soul scream!
Sad and furious, I may not be the heroes and villans I dreamed about.
And they steal my memories! They steal my loving flame!
I cannot be myself anymore! I'm a liquid puppet, a product of blame!

We dread to be dead. We are terrified of losing people for the grave.
All my detested feelings seem to be lost for my medicine.
I am an icy man trying to find my way in unslept nights,
reckless visions, cuts, scars, suicide.

How few are my emotions! Yet, I shall not tell you
what upsets, distresses and makes me want to kill myself.
Through quietness and solitude, I make my own path.
I am the champion. I am above all gods.
I could die in peace right now.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

-

Me senti tão sozinho, de repente...
tão incapaz e vazio, tão soturno e triste
que, agora, nada mais existe
senão o desejo de morrer em minha mente.

-

Castração química de sentimentos.
Insubjetivação da vida.
"Alegria, alegria" à morte querida.
Miséria doída e lúgubres tormentos.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Quando não há nada de bom a dizer, escreva um poema

entre desassossegos a morte inquietação sucinta
desertas são as almas e líquidas memórias

cavuco palavras nas costas da amada com unhas roídas
interpretemos e revoguemos a vida passageira e finda

excrementos digeridos é a vez dos putos do bar
comerem a merda que exala de suas entranhas
enquanto vomito em suas bocas o odor necrófilo

basta não precisamos de tanto coroai-me de rosas
vamos andando em breves passos segundo após metro
metro após fatigados instantes de um verde cerúleo

sem amor, caminhemos pelo quarto semicerrado
ouçamos o estrondoso marulhar de seus toques
à porta gritando socorro implorando perdão

cadeira no centro não se moverá o espírito
de repulsa invocará os dejetos e mais excrementos
de suas gargantas até que vomitarão em cima de nós
palavras de igual intensidade e repúdio

suas lindas nádegas lunares que nunca serviram para o sexo
e o cu que tanto cagou (para) a eternidade de meus versos passados
agora sofrem do mal do século somado à pimenta:

hemorroida

domingo, 5 de abril de 2015

Por um momento sonhei sonhar o repouso da cabeça à relva eterna

Por um momento sonhei sonhar o repouso
da cabeça à relva eterna, às extinções do sol,
ao desprazer e desamor que sinto aos fins de tarde.

Porém, em seus negrejantes, lúgubres e infindos
delírios e viagens, o carrossel de nossas mentes
girava, entorpecia e extasiava os impulsos.

Cego, foi-se o dia, e não houve dúvidas
quanto ao desgosto que desolava e iludia
as pobres almas mutiladas, esquecidas.

A relva, fria como nossos corações, desfazia-se
no pranto das crianças, assombradas com paixões
e fantasmas de amores passados, mas presentes.

Assombrados pela cólera e miséria, nossos filhos
se matavam, enforcados, sem antes se deliciarem
com as sombras da desconstrução de seus eus.

Eram e somos nada: inertes, cansados, nus, possuídos
pela podridão de nossos Estados individuais
de narcisismo, loucura, educação e medo.

E, na lobrega profundeza de um amor condensado,
sofremos por estarmos muito perto e muito longe,
muito parecidos e muito diferentes.

Mas ao acordar, triste, em meio à treva, percebi sua face
em mim, inverso; enquanto você a mim refletia
e eu bebia de seu sangue: éramos, enfim, o universo.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

sozinho na palidez de minha mente

sem significados,
tudo que digo
ou escrevo
parece tomar
conta de mim.

e martela
minha cabeça,

e invade
minha inquietação.

sem significados,
atravesso um mar
de fogo,
um hospício
para meus versos.

meus olhos castanhos
jazem na penumbra
de duas estrofes
e versos esparsos.

meu quarto desbota
no amarelo da luz escura.

a cortina, torcida
sobre a cama,
sorri à janela entreaberta.

os livros, empoeirados,
cantam e dançam
o não manuseio de hoje.

prefiro Light ao Reds
prefiro vodca à cerveja
prefiro morte à vida.

a escuridão da luz se ofusca,
o vazio da TV ligada se desliga,
e já me preencho de inteirezas.

sem significados,
o poema vai tomando forma.

carteira vazia,
preciso de um empréstimo.
que lástima! a vida me detesta.

deito.

as mulheres com quem dormi
voltam à penumbra de minha cama.

o anjo caído se ergue do pensamento.
e a alegria enche as paredes de seiva.

as palhetas e violões se despedaçam
no ar entrevado. é noite aqui dentro.

o ventilador ligado ao armário de mogno.

levanto.

me sento na cadeira rangente
e me delicio com a ilusão de um
momento bem aproveitado.

silêncio.

sozinho na palidez de minha mente.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Mentira

Se fizesse outro alguém
a partir dos mesmos fatores 
com os quais fiz você,
permaneceria vivendo
a mesma mentira,

seguiria caminhando
entre o caminhar das formigas, 
na janela,
seguiria esperando o café esfriar,
e você
permaneceria a meu lado
dizendo que sou metade de seu mundo.

Mas não sou nem a minha inteireza...

Se pensasse em você como penso nela,
partindo do princípio de ser 
parte do mundo para alguém,
deixaria de pensar em você
como penso:

nem metade, nem inteiro,
cada um por si
em seu pleno vazio,
em sua quieta monotonia,
em sua triste melancolia,
em seu inquieto desvario.

Caminhos opostos trilharemos,
sonhos não mais sonharemos
e a mentira deixará a ilusão
para virar realidade.

Se fizesse outro alguém
a partir dos mesmos fatores 
com os quais fiz você,
permaneceria vivendo
a mesma mentira.