terça-feira, 30 de junho de 2015

Não

não
poe
mas
para
tua
exis
tên
cia

fia
pia
e
min
ha
o
poe
ta
ima
tur
o
te
saú
da
cor
pos
suj
os
pal
avr
as
des
vira
das
para
um
não
poe
ma
inf
init
o

Recusa

seus tristes olhos
sedentos de amor
de consolo
de poesia
dizem adeus
sem insistir
na distância
e afastamento.

dizem
porque recusei
a eles meu próprio
olhar, minha ajuda;
o conforto de meus
braços solitários,
o calor de meu
incandescente coração.

seus tristes olhos
sedentos de amor
de consolo
de poesia
dizem adeus.

dizem
porque esperaram de mim
o que não pude ou não quis dar.
dizem porque ainda não aprendi
a amar
os outros
conforme sua necessidade.

Vindo das cinzas

não te alongues
em profunda
melancolia.
não entregues
tua alma despedaçada
aos fragmentos
de um presente
doloroso.

controla-te.

o futuro pode
te cercar
de frutos deliciosos,
maravilhosos
e imprevisíveis.
tudo depende do
controle,
do amor
e de tua mente.

exercita.

exercita o hábito
de te amar.
de estar contigo
mesma
- só assim
não dependerás dos
outros
e voltarás a viver
de novo
plenamente.

domingo, 28 de junho de 2015

O Carrossel

sairei
desta noite fria
dançarei
a valsa
de minha
inércia
e
caminharei
pela rua deserta
até que
minha arte
pague a vida

até que mova
o mundo (de algo
ou alguém)
com palavras
e saia deste circo
girando em
um carrossel

meu carrossel
gira
gira
em suntuoso escarcéu
(viva!
viva a melancolia!
viva a poesia!
viva!)

meu corcel
gira
gira
carrossel

vento lá fora,
vem me buscar!
férreas ondas gélidas
cálidos
calos
calam minhas mãos

o vento sopra
em júbilo e algazarra
arranca restos da terra
encerra em mim
assim
olhos fechadinhos
que mal enxergam
o perto
tampouco o distante
ante meus olhos
está a sombra
de um amor
de outrora

porém
mais uma vez
gira
gira
o carrossel
gira
gira
e gira ao léu

pois o perco
de vista
por um momento
infindo
que resulta
aqui
no choro

no coro
de vozes alternas
caem do
céu as asas
de minha imaginação
de areia e vidro

corre o carrossel
sempre mais rápido
sempre mais bestial
entretanto
a noite fria
fica para trás

atrás somente
da surpreendida
noite sem fim,
em mim
batem os cortantes
soluços
até que mova
o mundo (de algo
ou alguém)
com palavras
e saia deste circo
girando em
um carrossel

meu carrossel
gira
gira
em suntuoso escarcéu
(viva!
viva a melancolia!
viva a poesia!
viva!)

meu corcel
gira
gira
carrossel

leva-me daqui
carrega a nudez
de minha alma
lava meu corpo com
teu sangue!
e me salva de minha própria
inexistência
limitada.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Lampejo

iluminado
de ouro cerúleo
quente e vermelho
distante e apaixonado
profundo e confuso
sob o caos que se instala
e exaure a ilusão
a imaginação
e tantos pensamentos...

semelhante
porém diverso
o mesmo
o outro
eu

um céu se pondo
ao desespero
e à melancolia de
versos
incandescentes
e agonizantes
segue seu caminho
jamais o mesmo
jamais o outro
jamais em mim

e se vai
em contraste com nossas
almas
perpetuamente
estagnadas
para sempre
apaixonadas
pela existência
carência
fuga

em solavancos
caminho meu trajeto
soturno e escancarado
para os demônios que
outrora o invadiram

estou mais esperto,
desperto
e perto
de minhas solidões
ilimitadas

porém
não corro
mantenho a calma
e caminho
em direção ao infinito
de minha memória

percorro
então
as lembranças
de um infindo marulhar
de um infindo oceano
a meus olhos infantes

hoje
embora deserto
decerto o percorro
com a dúvida
que me angustia

despejo
portanto
minha
triste poesia
em cartazes em branco
entretanto permanecem
esbranquiçados
e desbotados
como o coração
de onde se sucedem

para sempre meu desdém
se desenvolve
franzino e desinteressado
para sempre diverso
o mesmo
o outro
eu
um não poema
para a sociedade que
me chocalha em cruel
dissonância.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Soturna vizinhança

disse que tinha
um corpo
afeminado

e seguiu
da portaria
à cozinha.

sentou-se
à cama
vazia

após guardar
as chuteiras
no armário
igualmente
atordoado
de solidão.

disse que tinha
um corpo
desarticulado
desafinado
definhado.

e
com esse rol de
insatisfações
se flagelou
até que seu
choro quieto
o induziu ao sono.

aos poucos se matava,
pensava
aos poucos se matava
de tanto ódio
que tinha de si próprio.

assim, não houve
contrariedade
sequer
aos pequenos
suicídios
que passou a cometer
todas as noites.

Sétima

a vida que nunca tivemos
marcada por
violões em sétimos
acordes

à
arte estrondosa
ainda não nos
retiremos

uma
love song
de elton john
e.e. cummings
à espreita
canta

a vida que nunca tivemos
marcada por
violões em sétimos 
acordes

de que adianta

até as 3h lendo
e esperando o tempo
passar
o cansaço
chegar
o dia amanhecer
para então
nos preocuparmos
novamente

com o 
           ócio
com o  
           cio 

brutalidades sexuais
ao alcance do 
pensamento 
devoramos
a carne alheia
em uma palavra

mas não podemos dizê-la

porque
as pessoas ainda
temem
(des)amor

não há outra maneira
de economizar
palavras
linhas
traços
pontuação
por ora

agora
escrevo para 
e por
nós dois

[como se não bastasse
nem te conheço
mas sei que faz o
mesmo que eu

escrever um diário
eu - poesia
tu - não poemas

preocupado 
com a inovação
a tentação
e o próprio amor

estarei amando (?)

resistir aos impulsos
impulsionar a mente
escrever escrever escrever
até que nada tenha restado

palavras não
movem o mundo

somente o mundo
de cada um]

o que teus olhos 
me disseram
será segredo

depois que os meus
refletirem tuas palavras
depois que os teus
acordes em sétima
se resolverem

onde estarei (?)

espero que 
ao lado teu
esperando mais 
                         um
                               dia
à tua companhia

cantando o sonho meu
de ser tua poesia






quarta-feira, 24 de junho de 2015

amor complexo

palavras simples
para um amor
complexo

não tenho
mais 
um amor
grandioso
somente a 
lembrança
de um dia
contigo

o amor é a 
chave para 
uma alma 
livre

cante-o
viva-o

palavras simples
para um amor
incompleto

naquela ocasião
estive sozinho
o dia inteiro
até que vieste
e trouxeste o 
amor

cantaste
viveste

e eu vivi também

agora
o amor
se esvai
a solidão
retorna
e os poemas
solares
terminam
em uma 
estrondosa lua
desbotada.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Construção

estive pensando
mesmo cansado
se não haveria
meio de trazê-la
de volta

não falo 
aqui 
da falta que 
me faz

pois já não 
faz

sinto que
não quer estar
aqui

quer estar em 
algum outro
lugar 

talvez queira
desaparecer
sumir
morrer

não 
sei

mas queria que 
estivesse aqui
por um momento
para dizer que
devo deixá-la
viver
da maneira que ela
escolher
onde ela quiser
com quem ela quiser

aqui amei
aqui nos despedimos

as fotografias
desbotam em sépia
descolam do álbum
se perdem no
esquecimento

aos poucos te esqueço
querida

aos poucos te esqueço
digo

mesmo assim
com a memória falha
com os poucos detalhes 
que me restam de tua ausência

ainda amo
uma idealização 
de partida

algo que construí
para não ser
desconstruído.

domingo, 21 de junho de 2015

estar contigo

meu corpo
que esteve com o teu
ontem à noite
dói

dói
pois ainda
somos um
embrião
somos fruto
da novidade
e filhos da
opacidade

meu corpo
ainda dói

já não há
o que fazer
senão
exercitá-lo
exercitar o
hábito
de estar
contigo
todas as noites

gosto de teus
porquês
gosto de teus
nãos
muito mais
do que dos sins
gosto de beijá-la
à face nua
de desprender
tuas asas
do entrelaço
com as minhas
e vê-la voar
por aí

até que o céu se
alaranja
escurece
e se vai

então
és minha
novamente
assim
como sou para ti
vibrante e vivo
impetuoso e alegre
- amando meu amor por ti

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Nunca

nunca te terão por completo, meu amor;
se não te tenho aqui comigo,
carrego teu coração como amigo e como amante,
com beijos ardentes e abraços apertados
- que nenhum outro pode dar,
porque estão presos e foram cegados,
amarrados em suas individualidades contrastantes.

nunca te terão como eu, meu amor,
pois somente as coisas que digo
podem atingir o âmago de uma breve e doída
ausência (somente sentes a falta,
que não é falta, mas a ardência de tuas
palavras jogadas pela janela,
procurando endereço
e se entrelaçando com o silêncio).

nunca te verão como eu, querida;
se não te vejo em minha frente,
imagino - sempre bela e dissonante,
sempre inocente, indecente e consoante,
dependendo tão somente de seu estado
emocional, de seu ímpeto e, é claro,
de seu tão agravado e amoroso apaixonar.

contudo, não queres ter meu amor.
preferes a solitária existência disjunta,
a distância, o agravamento de um enorme
e desencorajado sofrimento, que só se expande
para dentro de ti.
enquanto isso, eu, aqui, também em sofrimento,
também filho da maldição e do tormento,
sinto muito por sentir tanto...

por te amar em demasia, pensamento e poesia,
por te amar em minha doce e singela melancolia,
que só se aproxima, em intensidade, de meu amor
por ti e por toda a tua emoção e contentamento.


Imperfeição

como caminhasse, desolado pelas estradas
que ligam seu corpo ao meu, desnudo;
pelas rochas que conectam o precipício
de meu âmago ao teu pétreo e desamado coração;

como fosse feito de decepções, ela me injuriou,
o que, como ela mesma sabia, somente traria
novas mágoas e frustrações para meu doído,
desbotado e pétreo consciente.

ainda, como escapasse da escuridão de meu eu,
que tanto sofreu e tanto se afastou devido às
batidas estridentes de nossos corações violados,
cegaram meus olhos, ela me apaixonou.

e como estivesse perdido em meio à treva,
tateei as paredes (que gemiam! que gritavam!)
e nada encontrei, senão um cíclico percurso
agoniante e deveras ensimesmado.

 ela se retirou de minha mente, o amor se fora,
nada havia, mas a tristeza de um sentimento
diluído ao ser libertado... nada havia, porém a
memória de um poeta apaixonado.

todavia, como minha imagem refletida em teus
espelhos trincados, não pude deixar de atribular
SUA mente por um momento infindo e sufocante,
um instante de puro desamor e crueldade.

não durou muito e os eufemismos começaram
a tomar conta de sua morte... eu sabia que se
matara, sabia que eu era o causador de sua
angústia e de sua paranoia,

mas nada importava. como não bastasse,
aprendi a gostar de outra pessoa, cuja morte
sucedeu gargalhadas e sorrisos estúpidos
de minha parte... o trabalho estava feito.

seus jazigos, seus novos lares, pareciam muito
confortáveis. deitei-me com elas e fizemos amor
pela última vez. os cadáveres pareciam sorrir
e eu gozava minha felicidade infinita.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Um não amor

Encontrei
Posso dizer
que encontrei
Coroa-me
condena-me
mas não tirarás
de mim o amor
Pois eu o encontrei
e agora é meu
Encontrei
e sei que é um pedaço
inerente
inocente
consciente
perpetuamente

meu

Encontrei
Posso dizer
que encontrei
Não tirarás
de mim o sorriso
estampado à face
o beijo
outrora doído
que faz com que
entrelace
os dedos
os medos
amores

ah

tantos sentimentos
se sucedem
que acabo escrevendo
bobeiras
e vou tomando
forma
conforme o poema
se faz completo

tantos e tantos
momentos
me recordo agora
quando éramos pequenos
e
de repente
alcançamos o céu
alçamos voo
e
juntos

naufragamos

mas nunca
nunca
nunca poderíamos
dizer que amamos

por quê

porque
jamais
poderia amar alguém
sabendo quem somos
jamais
poderia amar
com tantas mágoas
englobando
o coração que aqui
despeja seus
sentimentos

e ela
jamais poderia amar
sabendo que seu amor
poderia se frustrar
com as decepções
que ela causa

entretanto
encontrei
Posso dizer que sim
Encontrei o amor
e ele não me quis

Encontrei
Posso dizer
que encontrei
Coroa-me
condena-me
mas não tirarás
de mim o amor
Pois eu o encontrei
e agora é meu
Encontrei
e sei que é um pedaço
inerente
inocente
consciente
perpetuamente

meu
não amor.

sábado, 13 de junho de 2015

A.L.

quando estou fazendo tudo
que posso
para abandoná-la...
por saber que o amor é feito
de mágoas
perdas
e decepções,

teu sorriso me ilumina.

não é preciso 
muito
para me fazer triste,
mas, 
quando te vejo feliz,
é como se eu mesmo explodisse
em alegria e 
sentisse o 
peso
da angústia de quem vive sumir;
a distância entre o suicídio aumentar,
e a solidão cessar - por ter algo,
finalmente, em que me apoiar:

teu sorriso, tuas besteiras, teus sentimentos.

pois amar é deixar de lado o eu
e entrar no outro;
é esquecer que existimos uma finda e dolorosa existência
para viver plenamente - com ou sem quem se ama;
amar é o não aprisionamento;
amar é dar asas e embarcar no mesmo voo;
é estar longe, porém sempre perto;
é estar errado mesmo quando se está certo.
amar é o que sinto - aparte de todo sofrimento.

quando estou fazendo tudo
que posso
para abandoná-la...
por saber que o amor é feito
de mágoas
perdas
e decepções,

teu sorriso me ganha o mundo.

e é então, 
no detalhe, 
na ínfima parte de tuas dobras e avenidas
que me sinto pleno.

que sinto que te amo.
que sinto que te amo como se fosse parte tua inerente.

que te amo tanto que até esqueço
que teu coração talvez não goste de mim.
talvez ele queira me proteger do mal do amor.
talvez ele queira me proteger do mal de qualquer relação.

mas não importa.
amo independente de tua opinião sobre ti mesma.
amo independente das ausências e melancolia.

amo-te para fazê-la feliz
e, assim, perpetuar
aquele mesmo detalhe dito anteriormente:

o sorriso.

e é com um sorriso meu,
lábios corajosos e destemidos
que digo e repito o que não deve ser economizado:

eu te amo com todos os teus defeitos e qualidades,
com a sinceridade e carinho que me foram atribuídos,
com a certeza de tua incerteza, tristeza e felicidade,
e com este amor, que é o mais repleto dos meus sentimentos.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

A.L.

Amo-te com a melancolia de meus versos,
amo-te com a saudade de um eu inaudível,
o sentimento de um espanto horrível!
que sossega e, da calma, me faz imerso.

Meu amor, te direi que amo tanto
que nem mesmo o sofrimento,
a incerteza e o tormento
serão motivo de dor ou pranto.

Amo-te como a agonia de minhas palavras nuas,
tão apaixonadas e eloquentes,
que nem mesmo a mente tua
teria coragem de dizer não à triste gente. 

Farei com que meu amor não te preencha
com minha ausência, soslaios e perigos.
Que discuta, porém não encha
sua paciência com minúcias e castigos.

Serei repleto para ti
assim como és para mim.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Visões



I





para poder exprimir o inexprimível,


preciso retornar ao presente.


deixarei a forma


de


lado;


a metrificação


passa longe;






a palavra,


antes


intrínseca ao poeta,


faz-se independente


e luta por espaço


num mundo repleto


de imagens e ilusões.






para poder exprimir o inefável,


preciso deixar os monomorfos aforismos:






com minhas visões,


subi ao


inferno


desci ao


paraíso.






encontrei polimorfismos,


abandonei a crítica e elevei


alucinações à alquimia da escrita.






escreve outra língua.


não nos entrelacemos.


sejamos diferentes,


procura outra harmonia.






para poder exprimir o inenarrável,


preciso deixar de narrar.


não sou prosaísta, não faço epopeias.






não sou elitista,


tampouco popular.


escrevo para os que não me compreendem


- e, arrisco dizer,


para os que não sabem compreender.






almas embriagadas me cercam,


almas pesadas, atordoadas me elevam.


não.


sejamos iguais.


sejamos únicos e execráveis.






II






Tornar-me-ia execrável se não fosse vidente.
Tornar-me-ia supérfluo de meus pensamentos
se não resgatasse a poesia que ecoa no EU oco,
a prosa de velharias - tão significantes
que as considero visionárias,
o lamento por existir e não viver em todo
meu potencial, desatino e plenitude.

Tornar-me-ia execrável, já o disse, se não fosse vidente.
Tornar-me-ia insustentável se deixasse as palavras
e partisse para um mundo onde reinassem novas formas
como as que tenho: disformes e, por vezes, amorfas.

O EU permanece rebelde no sentido de ir contra os padrões
de sentimento que aqui enaltecem,
e, portanto, já não posso negar a alma que tenho.
(Aqui não digo que ela é digna de honra ou cordialidades,
mas de críticas e novas visões).

É disso que se faz a arte.

Então, nascidos do súbito marulhar de minha escrita,
surgirão novos videntes, novos poetas, novos prosistas.

Tornar-me-ia comum se mantivesse minha poesia voltada
para os lamentos do EU.
Por isso, tomo emprestada a expressão usada na França oitocentista,
"o EU é um outro".

Não posso permitir que minha escrita seja interna.
Não posso permitir-me ser um (dito) autor.
Não devo ser mais um - ao contrário do que pensam
as instituições de nosso tempo.

Somos únicos, não execráveis, porém execráveis.






Olhe ao seu redor.
A esmagadora maioria entrega sua vida
para uma pia e pífia existência, apenas.

E, com este pacto com o Diabo,
encerro de forma estrondosa meu poema
corriqueiro e desnecessário.






domingo, 7 de junho de 2015

Poética - Sites de venda

Olá, pessoal, como vocês estão?

Estou divulgando novamente os links para a compra de "Poética", meu primeiro e, por ora, único livro.




Espero que comprem e se divirtam lendo meu primeiro trabalho!

Abraços,

Paulo Mielmiczuk

Outro dia qualquer

De
       avenida
em
       avenida,
as extremidades 
de meu corpo tocam 
as tuas.

Nos corredores, 
                       na penumbra
e arredores de minha mente,
flutuam pensamentos,
                         ideias e tormentos,
e tua imagem, solitária, 
         desaviva o inferno da existência.

Brilhantes, ferozes e 
                     vivazes, 
                     apaixonadas memórias,

instantes de extasiada felicidade
voltam à presente idealização.

Os olhos, janelas das casas
que cercam as avenidas, que me olham de cima
- e deduzem conhecer-me por completo...

Não. 

Repleto de amores e sonhos,
sonho ocultar meus males
e viver dos teus;
sonho em desfazer meus affairs,
meus vícios e medos
e permitir teus
dedos
sobre os meus.

Des-
nuda,
res-
munga,
anos 
passados,
lamentos
vividos e já resetados,
sonhos corrompidos
e o corpo ensimesmado.

Somewhere in my dreams

Lie by my side
somewhere in my dreams.

A.L.

Tendo amado por tanto tempo
- e amando, ainda, agora,
acho que estou apaixonado.

Mas não como os outros o fazem:
colocando suas felicidades
acima da de seus amantes...

Tendo amado por tanto tempo
- e amando, ainda, agora,
acho que a beleza de seu espírito
incendeia o amor que sinto.

E, apesar de ainda amá-la 
- talvez a ame para sempre,
deixo que seus próprios passos a conduzam.
Deixo que sua felicidade seja meu amor.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

The song I sing

I sing of unimportant affairs, boredom and melancholy.
I sing of detested feelings, suicide and misanthropy.
Though I'm not dead - and may never be
- otherwise people would reprobate and shout at me...
I still sing of egocentrism, disorders and whiskey...

I sing of unbeloved ones, the bereft and stoned.
I sing of people that made me mourn, the last cup, the abandoned.
Though I'm not dead - and may never be
- otherwise people would say I'm selfish (because I'm free)...
I still sing of negativism, hate and tempestuous poetry.

I sing of commodism. I sing of understanding
we still dread to be dead, because sadness is not part of life - yet.
I sing of time and loss. I sing of vibration and liquefaction.

Still, I'm not part of Byron's generation, for my satisfaction.
I'm just a man who wants to change the misconception of sentiment.
I sing of darkness and suffering - sometimes too eloquent (in me).

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Noturno

Fecho os olhos por um breve momento
e é noite escura e infinda das brumas fatais.
Perco-me, atônito, incerto de meu sentimento,
nesta imensidão noturna - de olhos mortais.

Transcrevo lânguidas palavras sobre meu tormento;
não suporto ser considerado como um dos "normais".
A morte me abençoa, me leva consigo em um alento;
não vivo, não quero viver e não viverei jamais!

Com mãos trêmulas, ergo a arma e atiro.
Os sentimentos se esvaem e a mim firo
como se em vida não tivesse sofrido.

Caminho pelo vale dos suicidas - e enfim me rendo.
Queimo na chama infernal com os pés doendo,
mas já não sofro... não lamento o tempo ido.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Os homens malditos

silhuetas na janela
vastos seres ocos
sentimentos desperdiçados
quem virá a angústia
quem saberá o amanhã

me apresento nu
as vozes ecoam no vazio
sentado, sozinho

abandonei minha casa
alguns deles me abandonaram
alguns se foram para mim

silhuetas na janela
vastos seres ocos
a angústia de quem vive
quem viverá o amanhã
os suicídios só aumentam

memórias saudosistas
sombras no corredor
cantam as noites em silêncio

de volta àquele dia
a visão do mundo calou
misérias e dramas

o homem desnudo
as flores despedaçadas
num túmulo mental

as silhuetas se movem
movem-se meus amores
agonia nas paredes
gritos ocos e homens malditos
trevas. fim