quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

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Revisitar versos é sempre doloroso.
Já não sinto o que sentia,
mas, no seio da triste poesia,
encontro-me mais desprezível e rancoroso.

A dor que se revela e amplia
é, para o poeta, fruto de si e glorioso
remédio para o esforço medicamentoso,
que condensa, respira e vive a melancolia.

E por que devo dizer que estou bem
se meu próprio esforço é, também,
algo que criei contra algo que inventei?

Por que devo conservar a vida numa redoma
se tudo que sinto a mim assoma
e me faz querer provar que nunca morrerei?

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