terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Sucumbir

Minha mente continua silenciosa, e
por ter aprendido a calar,
jamais falei.

Aqui, ninguém mais canta.

Aqui, todos são vazios:
ponderam e excogitam
a leveza de seus seres,
mas são pesados, cansados, difíceis.

Não me acostumo ao jeito como as coisas são.

E, talvez, não sejam para mim.

Farto, o basta me parece perto,
mas ainda tenho algumas coisinhas que me
permitem viver
a paz absoluta
de uma existência em crise.

Em minha mente duvidosa,
conto as estrelas e os buracos
que elas deixam quando partem.

Já perdi a conta inúmeras vezes,
mas continuo contando
para, enfim, ter alguma certeza na vida.

Nem que seja a do abandono.

Não me acostumo ao jeito como as coisas são.

Não sei se o problema está em mim,
mas alguém disse que o mundo
não está preparado para pessoas bonitas.

Me senti bonito pela primeira vez,
até o esquecimento me pareceu atraente...
e esqueci, também pela primeira vez,
que todos se vão.

Nojento, sem apelo sexual e retido até o talo...

ainda tirarei minha vida.
E caminharei solitário até encontrar algo
que me seja suficiente para me devolver o brilho,
o tino, a beleza e o talento.

Não dou ouvidos aos outros, pois eu mesmo me silenciei.
Não cobro atenção, não desejo pedidos de desculpas...
só gostaria de ter meu eu para mim - mais uma vez.

Gostaria que compreendessem as contradições,
as batalhas, as mágoas e lágrimas
que tanto despejei em minha mente,
deveras pesada, cansada, difícil... rigorosa.

A perfeição jamais esteve aqui.
Pensei que estivesse, mas nunca esteve
e nunca estará.

A incompletude do ser se faz retrato.
A incompletude de tudo se faz hiato.

E o poeta retorna à melancolia e escuridão
que ele mesmo inventou para si.

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