quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Ausência

ausento-me.
não posso negar que me ausento
e que os dias me parecem ser eternos,
bem como as noites, que trazem consigo
a terrível agonia de viver.

ausento-me.
e as estrelas, que deixam buracos ao partir...
são todas contadas, pois são todos assim
para mim também.

ausento-me.
não posso negar que me ausento,
porque não tenho o que dizer quando me perguntam
o que acho de tal assunto, pois não tenho interesse.
porque não sei o que pensarão de mim.
porque não sei... não sei?

ausento-me.
e tudo é cada vez mais profundo.
e tudo a minha volta é raso e imundo.
tudo é falso e obtuso. tudo é esquecimento.

ausento-me para não me aproximar.
não me aproximo e sinto falta.
não me aproximo,
porque quero evitar a dor da perda,
mas sofro com a saudade de alguém que nunca tive.

ausento-me para me isolar,
e olhar ao redor com distanciamento,
pensando ter sido excluído por outrem...
pensando que poderia estar ali, mas não poderia, pois

ausento-me.
e isso me corrói,
isso me faz pensar
que o mundo
jamais foi feito
para pessoas depressivas

me faz querer desistir.
mas sigo em frente,

pois deixar  quem é próximo
"é egoísta".

mal sabem que
não me conhecem, apenas convivem.

e egoísta mesmo é saber que alguém sofre por estar vivo,
é pensar que se é dono desse alguém...
e não deixá-lo partir.

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