quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

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Perimo teus olhares, e tuas espáduas eternizam
as obsolescências e tragédias que não cicatrizam
o sofrimento deste poeta carrancudo e apaixonado,
que já entrega-se ao pânico do espanto circuncidado.

Teus olhos, dois globos perfurados pelo vazio,
corpos e substâncias sujeitados a um triste estio,
no qual viram tanta decadência, que pouco reluziram:
pensam que sobre a infância e a alegria todos mentiram.

O poeta é um ser anacrônico. Não a Poesia.
"Não à Poesia", eles entoam - em seus interiores.
"Não há Poesia?", me questiono, melancólico, sem melancolia.

Perimo teus olhares, pois não preciso de novos amores.
Carrego todo tipo de sofrimento, e não há palavra ou sinfonia
que me traga ao idiota o riso, o brilho... ou, à vida, cores.

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