sábado, 20 de fevereiro de 2016

Trago-te meus olhares incertos

Trago-te meus olhares incertos
aos seios da face obscura e triste.
Trago-te, também, meus olhos abertos,
poesia e todo o ardor do pior que existe.

Por que deveria te escrever versos?
Não sabes que sob o efeito do ódio estou?
Ainda em tuas lágrimas e universos,
o olhar é tudo e somente o que te restou.

Trago-te, portanto, o soslaio da retina,
o desenlace de um amor esgotado
em antidepressivos e aspirina...

Trago-te teu pulso caído, desapaixonado,
de volta e cuspo no teu poema, que termina
com a revolta de alguém que odeia - e é odiado.

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