segunda-feira, 21 de março de 2016

Aplauso

Pelo véu das retinas cansadas,
por toda alegria expressa 
na face que canta, que traduz e ilumina...

me quer? Não me quer, 
pois a felicidade, que se esgota
em seus súbitos espasmos,
é mentirosa.

Conheço a entranha das palavras.
Não as que se aplaudem - dos saraus
aos maiores espetáculos.

O grande espetáculo
é, igualmente, uma farsa;
indubitavelmente mentiroso
e formador de passividade.

Conheço a profundeza do que surge
assim, de repente, das pequenas coisas
codificadas pelo marulhar excessivo da mente...

E o aplauso, simplesmente aplauso, 
faz com que me entristeça,
com que rechace minha própria criação.
"Viva a vaia!" Viva!

Nenhum comentário:

Postar um comentário