domingo, 6 de março de 2016

Erlkönig

O pai caminha lento, cismando,
enquanto o filho, admirado,
caminha pesaroso, cantando
para ele, triste e descuidado.

A neblina se estende pela relva à frente;
e o filho aperta o passo num regresso ao lar,
pois percebe o pai triste, quase doente:
"a escuridão e o pesar ainda vão te matar."

"Deixa disso, dileto, vem comigo!
À capela estamos quase chegando."
"Iria, mas sou mais que um filho, sou amigo,
e não deixaria tu aí: o sofrimento esperando.

Ouviste?! O que foi esse estalido?"
"Deve ter sido um animalzinho qualquer."
"Pai, precisamos ir! Sinto próximo o perigo!
Não quero estar aqui quando o Erlkönig vier!

"Não existe tal criatura! E não preciso de tua companhia
se não quiser ser companheiro."
Então, o menino corre à penumbra, sem tristeza ou alegria,
rumo aos braços do salgueiro. 

E as flores e folhas na relva satirizam
o vazio que encontra em seu abraço,
e chora o salgueiro, os braços se eclipsam,
pois o garoto já está morto em seu regaço.


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